Quaresma, tempo de conversão

A nossa caminhada quaresmal não pode contentar-se com formalidades nem como o pouco mais ou menos… há-de atingir-nos no mais profundo de nós mesmos, levar-nos à conversão. Converter-nos é “morrer com Cristo para com Ele ressuscitarmos”.

A conversão autêntica, por isso, faz doer, implica cortar, deixar, mudar, reformar… o que sempre doer. Se o não faz… é porque ainda “não pusemos o dedo na chaga” e ainda continuamos nas formalidades e nos atos exteriores que nada têm a ver com o nosso íntimo. É mais fácil darmos uma esmola, deixarmos de tomar um cálice… do que evitarmos seriamente uma ocasião de pecado, fazer guerra ao egoísmo… Não, nesse caso, a Quaresma ainda não atingiu a raiz da nossa personalidade, nem nos conferirá o direito de tocar as campainhas da Páscoa.

Celebrar a Quaresma é vermo-nos ao espelho de Cristo e encararmo-nos à luz das suas exigências. Não nos deixará ficar na superficialidade.

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Diz a Sagrada Escritura: «O jejum que me agrada é este: libertar os que foram presos injustamente… repartir o pão com os esfomeados… dar abrigo… vestir os nus e não desprezar o teu irmão…» (Is. 58, 6-7)

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O linho, para ser linho,
Sofre tantas provas duras!
Mas, depois dessas torturas,
Vai aos altares, branquinho.

Irmão que me lês, tem calma,
Se és desprezado ou doente,
Porque a dor é o detergente
Que branqueia a tua alma.

In Jornal “Avé Maria” (Semanário) – 18.03.2012

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