A consciência dos Jovens quanto à sua missão na Igreja

(Este texto foi elaborado no âmbito das Jornadas Diocesanas da Juventude, realizadas no 10 de Junho de 1998, no Colégio Salesiano de Poiares - Régua, e promovidas pelo Secretariado Diocesano da Juventude de Vila Real, e que agora partilho, particularmente, com os jovens visitantes deste blogue.)

Introdução

Fundada por vontade expressa de Jesus Cristo(1), a Igreja inicia a sua actividade de anúncio do Evangelho, cresce, fortalece-se e renova-se constantemente pela força operante e consoladora do Espírito Santo, enviado pelo mesmo Jesus Ressuscitado que antes O havia prometido: «Quando vier o Paráclito, que vos enviarei de junto do Pai, o Espírito da Verdade, que vem do Pai, ele dará testemunho de mim.» (Jo.15,26).

Esta Igreja, «comunidade de fé, esperança e caridade, (...) que no Credo confessamos ser una, santa, católica e apostólica» (LG,8) é constituída por todos os que «fomos baptizados no mesmo Espírito, para formarmos um só corpo» (1 Cor.12, 13), pois «assim como todos os membros do corpo humano, apesar de serem muitos, formam no entanto um só corpo, assim também os fiéis em Cristo.» (LG, 7). A unidade dos fiéis é operada e fortalecida pela acção constante e atenta do Espírito Santo, de tal modo que há uma verdadeira coesão íntima entre os diversos membros deste corpo. «A cabeça deste corpo é Cristo.» (LG.7), pelo que, a Igreja é o Corpo Místico de Cristo.

Tal como no corpo humano cada membro e cada órgão tem a sua função específica, também na Igreja, e de acordo com a distribuição que o Espírito faz «dos seus vários dons segundo a sua riqueza e as necessidades dos ministérios para utilidade da Igreja» (LG, 7), cada um de nós tem uma missão própria a cumprir para a edificação do Corpo Místico de Cristo.

É sobre a missão dos jovens na Igreja, e a sua consciência – ou não – deste facto, que me proponho elaborar este meu singelo contributo, desejando que o mesmo possa ser de alguma utilidade para o êxito das Jornadas Diocesanas da Juventude, que se vão realizar no próximo dia 10 de Junho de 1998, no Colégio Salesiano de Poiares (Régua), e promovidas pelo Secretariado Diocesano da Juventude de Vila Real.

1.- No limiar do 3º milénio, e sob os auspícios do Concílio Vaticano II – sempre actual e com muitas potencialidades ainda por descobrir -, importa que os jovens se disponibilizem para uma reflexão séria e profunda sobre a missão que lhes está destinada na Igreja de Jesus Cristo.

Para ajudar a essa reflexão, proponho, desde já, três questões:


• Será que temos consciência dessa missão? Como e/ou porquê?
• Haverá uma missão específica dos jovens, ou ela está integrada na missão de todos os leigos?
• De que modo ou modos a podemos, enquanto cristãos e enquanto membros de um Grupo Juvenil, pôr em prática?

2.- Pelo Baptismo, todos somos chamados a ser membros de pleno direito da Igreja de Jesus Cristo, e de nela e com ela anunciarmos a Boa Nova que o Senhor nos mandou proclamar: «Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda a criatura. Aquele que acreditar e for baptizado será salvo; o que não acreditar será condenado.» (Mc.16, 15,16).

Assim, o leigo responsável e comprometido, além de assumir as suas tarefas na vida da comunidade, vive a sua fé de um modo profundo e não superficial, e está verdadeiramente empenhado na transformação do mundo, sendo nele «sal e fermento», pois que, hoje em dia, o anúncio do Evangelho deve ser feito particularmente através do testemunho de vida.

No entanto, há quem acuse os jovens, particularmente os jovens católicos, de serem membros passivos e de se alhearem das transformações que se vão operando na sociedade e na Igreja, enquanto que outros afirmam que muitos adultos (hierarquia incluída), ainda resistem à participação empenhada dos que querem colaborar na edificação da Igreja e assumir as tarefas que lhes estão destinadas na Igreja Diocesana ou na Paróquia.

3.- Apesar de tudo, acredito que os jovens querem participar activamente na vida eclesial, pois sabem que aí têm um lugar que é seu de direito e que não pode ser ocupado por mais ninguém. Eles e elas desejam colaborar nos serviços e realizações da Igreja de Cristo, e querem dar a sua opinião sobre as soluções para os problemas que afectam a vida das comunidades e dos cristãos em geral. Este é um direito que não lhes pode ser negado, pois, «a responsabilidade na comunidade cristã não deve estar sujeita à idade que cada um tenha, mas à honradez e compromisso com que saiba viver e anunciar o Evangelho de Jesus(2) Do mesmo modo não podemos esquecer as palavras de Paulo a Timóteo: «Que ninguém despreze a tua jovem idade.» (1Tim.4, 12)

4.- Sem a participação activa e verdadeiramente comprometida dos jovens, o futuro da Igreja será totalmente diferente, pois eles são «o potencial mais rico em possibilidades, promessas e esperanças para o nosso futuro»(3) e, citando João Paulo II, «Se pensarmos na Evangelização em relação ao futuro, devemos voltar-nos para os jovens

5.- É necessário e urgente que os adultos com responsabilidades na Igreja comecem a escutar melhor e a dialogar efectivamente com os jovens, para que haja na Igreja «um pluralismo real de estilos de expressão e acção cristã, dentro da unidade da Fé e da comunhão real de todos os crentes», como afirmam os Bispos Bascos.

Neste sentido, importa permitir que os jovens participem, com o seu estilo próprio, e sob a orientação dos respectivos Pastores, nas diversas tarefas inerentes à missão da Igreja: na oferta da vida e sua dimensão celebrativa (dimensão sacerdotal), no anúncio da fé (dimensão profética) e na transformação do mundo à luz dos critérios evangélicos (dimensão real).(4)

6.- Os jovens cristãos católicos, conscientes do seu real valor, não querem, simplesmente, assistir à edificação do Corpo Místico de Cristo, do qual eles são membros de pleno direito. Desejam, antes, participar nessa construção, anunciando a Boa Nova aos que a não conhecem – particularmente aos outros jovens -, celebrando a sua fé no Senhor Jesus e estando disponíveis para ajudar os mais necessitados.

É importante que a Igreja esteja atenta a estes desejos de participação por parte dos jovens e que se empenhe numa Pastoral Juvenil de co-responsabilização e de diálogo consequente, pois os jovens são «força renovadora» com que ela pode contar. Eles são a Esperança e o Futuro da Igreja Católica, Apostólica, Romana.

Notas:
(1) - «Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Inferno nunca prevalecerão contra ela». (Mt.16, 18)
(2) - Carta Pastoral dos Bispos Bascos aos Jovens das suas Dioceses
(3) - Idem
(4) - Cf. Congresso Nacional de leigos, Sub-tema 2.10, pág. 130

José Pinto

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