Quaresma - tempo de partilha


Quaresma - tempo de partilha
Partilhar é, juntamente com a oração e a conversão, um dos pilares da Quaresma. O Cardeal francês Etchegaray escreveu: “Partilhar é o gesto sem calculismo de duas mãos abertas que não sabem se dão ou se recebem” e “Não há verdadeira partilha senão na pobreza, como não há verdadeira riqueza senão na partilha”.

Porquê partilhar? A criança responderá “para sermos gentis”, outros dirão “para ajudarmos, sermos úteis e felizes”… ou “porque todos precisamos uns dos outros”… Para nós, cristãos, é tornarmo-nos no que somos: “Corpo de Cristo” como S. Paulo escreve (1Cor, 12, 26): “Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se um membro é honrado, todos os membros se alegram com ele”.

É bem mais do que dar uma esmola, é “disponibilizar” o que temos: bens materiais, qualidade, tempo, alegria, competências… gestos que revelam o verdadeiro “rosto de Cristo”.

Na nossa Diocese a partilha quaresmal reverte para as Conferências Vicentinas.

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Diz a Sagrada Escritura: «Aquele que tiver bens deste mundo, mas não socorrer o seu irmão necessitado, não pode ter em si o amor de Deus”. (1Jo. 3, 17)

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Porque gasta o rico tanto
Que, do mal gasto, lhe sobre
Quando tanta gente pobre
Morre de fome num canto?
 
Seja o amor a primeira
Riqueza da tua casa,
Com paz, saúde e uma brasa
A aquecer-te na lareira.
 
In Jornal “Avé Maria” (Semanário) – Vila Real, 23.03.2014

O enterro da Paróquia


Ouvi esta "história" ontem (26.03.2014), num encontro de agentes pastorais das paróquias de Arroios, Constantim e Mateus , contada, em breves traços, pelo Frei Lima, franciscano. Deixo aqui a minha versão (revista e muito aumentada):

Um padre foi nomeado, pelo Bispo da Diocese, para uma nova paróquia. Quando lá chegou, logo verificou que os habitantes daquela localidade pouco ou nada queriam saber da igreja e muito menos da Igreja, de tal modo que o edifício estava num estado muito degradado, com vidros partidos nas janelas, faltavam telhas no telhado, paredes a necessitar de uma boa pintura, etc.

Quando à Igreja local, também não estava muito bem: não havia sacristão para abrir as portas ou tocar o sino, nem uma única zeladora que varresse o chão, limpasse o pó, colocasse flores nos altares ou lavasse as toalhas e os paramentos litúrgicos.

Ninguém estava disponível para orientar as sessões de catequese das inúmeras crianças e adolescentes que moravam na localidade, nem para fazer as leituras ou cantar durante as celebrações, acolitar o padre durante a missa, ministros extraordinários para distribuir a Sagrada Comunhão pelos doentes que estavam retidos em casa.

Nem os próprios membros da comissão fabriqueira, mesmo tendo aceitado fazer parte da mesma, apareciam às respectivas reuniões, deixando o padre, enquanto presidente da mesma, a falar sozinho.

O padre tinha de fazer tudo o que era necessário para manter a paróquia a funcionar, mas por mais que fizesse e tentasse encontrar colaboradores, todos se escusavam, apresentando as mais variadas desculpas. A situação era verdadeiramente insustentável, pelo que se tornava necessário encontrar, e rapidamente, uma solução.

Uma noite, antes de se deitar, o padre olhou para o crucifixo colocado na sua mesinha de cabeceira, como fazia todas as noites, e, quando se preparava para ajoelhar e rezar, pareceu-lhe que Jesus sorriu e lhe piscou o olho.

Pensou tratar-se de uma ilusão, mas…

Sentou-se na cama e pegou no crucifixo com ambas as mãos, e ficou a olhar para Cristo crucificado, tentando vislumbrar um novo sorriso ou um novo “piscar de olhos” vindos daquela imagem de madeira, tão antiga quanto a paróquia.

Durante largos minutos, nada!

Continuou a olhar e, enquanto olhava, lá começou a martelar-lhe o pensamento a lembrança das dificuldades que estava a passar para tentar encontrar, pelo menos, um ou dois colaboradores que o ajudassem nas tarefas pastorais, e começou a tomar consciência de que ainda não tinha pedido ajuda Àquele que tudo pode e que nunca nos abandona, particularmente nos momentos mais difíceis da nossa vida.

Semana Santa em Vila Real (13 a 20 de Abril de 2014)

Tal como em anos anteriores, vamos disponibilizar no blogue do Grupo da Catequese e Acólitos de Constantim o Programa com as celebrações da Semana Santa em Vila Real neste ano de 2014 (13 a 20 de Abril):

«Na Semana Santa celebram-se os mistérios da salvação consumada por Jesus nos últimos anos da sua vida na terra, desde a entrada triunfal em Jerusalém até à sua sacratíssima Paixão e gloriosa Ressurreição. A Semana Santa contém aquilo que Jesus definiu como a “Sua Hora”.

A antiga liturgia de Milão classificava esta semana de Semana Autêntica por ser a semana dos verdadeiros “trabalhos de Jesus”. O anterior Missal romano chamava-lhe Semana Maior, não pelo número de dias, mas pelo seu conteúdo salvífico.

O conjunto das celebrações da Semana Santa constitui o núcleo da fé da Igreja, o Mistério Pascal, revelador da plenitude do amor de Deus ao mundo. As cores litúrgicas são a encarnada e a branca, as cores de vida e de vitória.

As celebrações na Sé são presididas pelo Bispo da Diocese.

Domingo de Ramos – 13 de Abril

Celebra-se a Entrada de Jesus em Jerusalém, aclamado como Messias e Filho de David e, ao mesmo tempo, o Início da sua Paixão. Daí o nome de “Domingo de Ramos na Paixão”. É o pórtico de entrada da Semana Santa.

09h30 – Bênção dos Ramos – na Capela Nova, com cortejo para a Igreja de S. Pedro.

09h30 - Bênção dos Ramos – na Igreja de Sto António

10h15 – Bênção dos Ramos – na Av. Alves Roçadas (junto à estátua), com cortejo para a Igreja de Nª Sª da Conceição, pela Travessa D. Dinis – Av. D. Dinis – Praça de Nª Sª da Conceição.

11h30 – Bênção dos Ramos – na Igreja da Misericórdia, com cortejo para a Sé.

11h30 - Bênção dos Ramos – na Igreja de Sto António e S. Pedro.

Os ramos benzem-se para serem levados na Procissão e não propriamente para ser guardados em casa.

Quarta-feira Santa – 16 de Abril

18h00 – Celebração do Sacramento da Reconciliação ou Confissão, na Sé.

Quinta-feira Santa – 17 de Abril

10h00 – Missa Crismal na Sé

Nesta manhã, é a única Missa em toda a Diocese. É presidida pelo Bispo e concelebrada pelos padres vindos de toda a Diocese, que nela renovarão os seus compromissos sacerdotais, em testemunho de um único presbitério.

Nessa Missa são benzidos o Óleo dos Catecúmenos (para os baptismos), o Óleo dos Doentes (para os Enfermos), e é consagrado o Óleo do Crisma. Daí o nome de Missa Crismal. Por esta dimensão eclesial, os fiéis são convidados a participar nesta celebração.

14h00 – Celebração do Sacramento da Reconciliação ou Confissão, na Sé Catedral.

15h00 – Celebração do Sacramento da Reconciliação ou Confissão, na Igreja de Nª Sª da Conceição.

17h00 – Missa Vespertina da Ceia do Senhor, na Sé Catedral

Desde a tarde de hoje até à tarde de Domingo decorre o Tríduo Pascal, o coração da Semana Santa.

Nesta Missa celebra-se a Instituição da Eucaristia e do Sacerdócio (que os Apóstolos receberam em plenitude e depois transmitiram em grau diferente, aos Bispos – seus Sucessores – e aos Presbíteros) e a proclamação do Mandamento Novo, segundo o qual toda a autoridade deve exercer o poder como um serviço. Daí o gesto do lava-pés.

18h00 – Missa Vespertina da Ceia nas Paróquias de S. Pedro, Senhora da Conceição e Santo António.

21h00 – As Paróquias organizarão visitas guiadas às Igrejas para adoração ao SS.mo Sacramento.

Das 21h00 às 23h00 – Adoração solene ao Santíssimo Sacramento na Igreja da Senhora da Conceição.

Sexta-Feira Santa – 18 de Abril

Dia consagrado à meditação da Paixão e Morte Redentora do Mundo. Daí o uso de paramento encarnado, o mesmo dos Ramos e do Pentecostes, pois Jesus subiu ao Calvário animado pelo Espírito Santo.

10h00 – Ofício de Leituras e Laudes na Sé, cantado pelos seminaristas e religiosas.

15h00 – Solene Acção Litúrgica da Tarde, nas quatro Paróquias.

Não se trata de Missa, mas de uma longa meditação orante. Inclui a Leitura da Paixão, Preces Universais, Adoração da Cruz, Comunhão e Desnudação do Altar.

As esmolas recolhidas neste dia serão enviadas para Jerusalém, a fim de ajudar a conservar os lugares santificados pela vida e morte de Jesus.

17h30 – Procissão do Enterro do Senhor – Sai da Capela da Misericórdia, aonde recolhe. A organização está a cargo da Santa Casa da Misericórdia de Vila Real.

21h00 – Via Sacra Pública pela cidade

Cada Paróquia da cidade fará a sua Via Sacra, em público, em direcção ao Calvário, e aí, a 14ª estação terá a participação das pessoas de todas as Paróquias.

Pelo seu carácter penitencial este dia é de jejum e abstinência e deve ser vivido em recolhimento pessoal e familiar.

Sábado Santo – 18 de Abril

Este dia é dedicado à contemplação de Jesus morto e sepultado, a “descansar” dos trabalhos da sua Paixão. Deve, pois, chamar-se “Sábado Santo” e não “de aleluia”, que só começa na noite da Vigília pascal. Este sábado é um dia “alitúrgico”, isto é, não há nele qualquer celebração: nem missa, nem baptismo, nem casamento, nem comunhão (excepto para os moribundos).

10h00 – Ofício de Leituras e Laudes na Sé, cantado pelos seminaristas e religiosas

21h30 – Solene Vigília Pascal na Sé

21h30 – Vigília Pascal nas outras três Paróquias

A Vigília Pascal é a mãe de todas as vigílias, é a celebração geradora de todas as celebrações.

Não pode chamar-se “Missa vespertina” nem pelo conteúdo nem pela hora. “Estar de vigília” é estar atento ao acontecimento pascal, sem sono, desperto.

A Igreja não dorme nesta noite, recolhe-se para meditar e cantar a vitória do seu Senhor sobre o pecado e a morte. Relê os textos da criação do Mundo e do Homem, que Jesus Ressuscitado reordena numa Nova Criação: Ele é o novo Adão que dá início a uma nova Humanidade; a semana é reordenada, de modo que o que era “primeiro dia da criação” passa a ser “o Dia do Senhor”.

A celebração da Vigília é, por sua natureza, longa. Inclui a Bênção do Lume novo, o canto do Precónio, as leituras bíblicas pascais, a Bênção da água do Baptismo e renovação de promessas e Eucaristia. Todos estes elementos formam um todo, pelo que seria incorrecto falar de “ir à Missa da Vigília”, que faz parte integrante da celebração.

As pessoas que desejem participar na Vigília devem levar uma vela para a renovação das promessas baptismais e uma campainha para a proclamação do ALELUIA PASCAL.

Domingo de Páscoa – 20 de Abril

É o primeiro Domingo do ano e prolonga a Vigília Pascal.

O “primeiro dia da semana”, dia em que Deus criara a Luz, passa a ser também o Dia do Senhor Ressuscitado e Dia da Igreja reunida em assembleia pascal. S. Agostinho chamará ao Domingo o “8º dia”, em virtude de a Ressurreição do Senhor abrir a História para além das leis do tempo natural ou do simples descanso.

Os Párocos ou grupos de cristãos por eles enviados visitam as famílias cristãs, levando-lhes a mensagem pascal. Esta visita e mensagem dirigem-se às pessoas, pelo que não faz sentido visitar casas vazias.

O toque dos sinos, a água baptismal, o estralejar dos foguetes, o rosmaninho e o alecrim, os ovos (símbolos da vida e do sepulcro por ela rompido), os ramos da Primavera – são recursos de que o povo lançou mão para exprimir a sua fé e alegria na Ressurreição do Senhor.

08h00 – Saída do Compasso na Paróquia de Nª Sra da Conceição

09h00 – Saída do Compasso nas Paróquias da Sé e da Sra da Conceição

09h30 – Saída do Compasso na Paróquia de Sto António

11h30 – Eucaristia da Páscoa na Paróquia de S. Pedro

12h00 – Eucaristia da Páscoa na Sé e na Igreja da Senhora da Conceição

14h30 – Saída do Compasso na Paróquia de S. Pedro

18h00 – Eucaristia da Páscoa na Igreja de S. Pedro e da Igreja da Senhora da Conceição

(Texto e imagem retirados de um folheto elaborado e editado pela Diocese de Vila Real)

José, o Justo

De José, quando se apercebe que sua noiva estava grávida, é-nos dito que era um homem justo e, certamente por isso, renuncia a denunciá-la publicamente como a Lei o determinava. Ele é um segundo Abraão, um homem justo. Tem, perante a situação inexplicável de sua esposa, a mesma reação de Abraão diante da esterilidade de sua mulher: acreditar no poder de Deus, pressentir o mistério, esperar a realização da promessa – ela será mãe.

A “justiça” de José, talvez maior do que a de Abraão, exerce-se antes que tenha recebido uma Palavra Divina em que possa apoiar-se. E, diante do acontecimento inaudito, só pode contar com as suas forças e coragem. Mas a sua interioridade permite que a Palavra o trabalhe antes que lhe tenha sido dirigida e o prepare para acolher sem reserva os planos de Deus.

Quanto temos a aprender com Ele em tantos momentos que é preciso saber esperar na fé…

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Diz a Sagrada Escritura: «Não temas, José: Maria dará à luz um Filho e tu Lhe darás o nome de Jesus». (Mt. 1, 20-21)

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Venturoso pai cristão
Vejo em teus olhos o brilho
Com que fitas esse filho
Que conduzes pela mão.
 
Sim, ó venturoso pai,
Nas tuas mãos, bem seguro,
Levas o próprio futuro
Nesse outro tu que aí vai.

In Jornal “Avé Maria” (Semanário) – Vila Real, 16.03.2014

Quarta-feira de Cinzas

As cinzas que nos vão ser impostas marcam o início da Quaresma. São o símbolo da nossa precariedade e de que somos finitos. “Lembra-te que és pó e em pó te hás-de tornar”. Ao contrário da sociedade de hoje que procura ocultar a morte, o rito das Cinzas torna-a presente e nos convida a dar importância às coisas que permanecem, que não são passageiras…

Como? Respondendo ao tríplice apelo de Jesus que o Evangelho deste dia nos recorda: esmola (partilha de bens), oração e jejum.

As cinzas, segundo a tradição, obtêm-se dos ramos benzidos no último Domingo de Ramos, maneira de se manifestar a relação entre a Quaresma e Semana Santa e a sua imposição é verdadeiro ato penitencial a realizar-se depois da homilia que para ele nos encaminha.

Este começo da Quaresma quer-nos fazer entrar no caminho que, pela renúncia ao nosso egoísmo, nos levará à alegria da Páscoa.

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Diz a Sagrada Escritura: «Voltai para Mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações. Rasgai o vosso coração e não as vossas vestes». (Joel. 2, 12)

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O dia de cinzas é
Esse dia quaresmal
Em que o homem que tem fé
Prepara o tempo pascal.
 
É ocasião preferida,
Pois há o cristão sentimento
De que a mudança de vida
Não se faz sem sofrimento.

In Jornal “Avé Maria” (Semanário)

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