Sobre a formação litúrgica dos fiéis (3)

Continuo a elencar algumas questões, que considero importantes, relativas à participação dos fiéis nas celebrações da Eucaristia, e reveladoras da respetiva formação/educação litúrgica. Com a ajuda de Deus, terminarei hoje.


Durante a consagração, ajoelho-me (sendo possível) e mantenho-me em respeitoso silêncio, perante o Mistério que está a acontecer diante de todos nós? Ou distraio-me com facilidade e até contribuo para a distração de outros?

No decorrer da Eucaristia, tenho consciência de que há orações específicas que apenas devem ser ditas pelo presidente da celebração, às quais os fiéis presentes respondem com “Ámen” ou outras palavras ou expressões por todos conhecidas (pelo menos deveriam ser!)? Estou consciente de que as palavras que Jesus disse na Última Ceia, e que são repetidas em todas as Eucaristias, durante a Consagração, apenas devem ser ditas pelo presidente da celebração? E que o mesmo deve acontecer na conclusão da oração eucarística (doxologia final) - ”Por Cristo, com Cristo, em Cristo,…” -, oração que exprime a glorificação de Deus e é ratificada e concluída pela aclamação do povo com o Amén. (IGMR, no 80).

Lembro-me, sempre, que na Missa, no final da oração do Pai-Nosso não devo dizer “Amén”, porque o presidente da celebração continua a oração sozinho, dizendo “Livrai-nos, Senhor de todo o mal…”. Ou seja, o sacerdote como que desenvolve o último pedido que fazemos no Pai-Nosso “livrai-nos do mal”. E quando ele termina, junto-me aos restantes fiéis, respondendo de forma clara e convincente: “Vosso é o Reino, o poder e a glória para sempre”?

No momento adequando, e apenas se e quando o presidente ou o diácono diz “Saudai-vos na paz de Cristo”, “dou” a paz apenas às pessoas que estão ao meu lado, ou “cumprimento” todas as pessoas que estão ao meu lado, atrás, à frente, e ainda… Depois que o presidente dizEis o Cordeiro de Deus…” e os fiéis respondem “Senhor, eu não sou digno…”, permaneço de pé, quer vá ou não comungar, ou sento-me de imediato e começo a conversar com quem está ao meu lado?

Se a minha alma está em condições de ir comungar o Corpo do Senhor, integro-me na procissão (sim, é uma procissão!) e caminho calmamente, meditando sobre o que vou fazer, sem atropelar ninguém, antes cedendo a passagem sempre que necessário? Ou vou distraído, conversando e cumprimentando quem encontro no percurso? Se quero fazer uma reverência a Jesus presente nas hóstias que o ministro distribui aos fiéis, faço-o antes de comungar, de forma singela e sem atrapalhar nada nem ninguém, ou não? Se comungo na mão, faço-o em frente ao ministro ou comungo a caminhar, de volta ao lugar (ou, em direção à porta da rua!), sem ter o cuidado de não deixar cair partícula alguma ao chão? E por aqui me fico.

Por aquilo que se vai vendo em algumas celebrações, penso que é mesmo necessária uma formação/educação litúrgica contínua, particularmente dos que exercem ministérios ou serviços eclesiais: Ministros Extraordinários da Comunhão, Acólitos, Leitores, Salmistas, Catequistas, Zeladores, os que fazem o acolhimento…

E porquê? Por tudo o que já foi dito e para que não volte a acontecer que o altar de uma igreja, apesar de protegido, possa continuar a servir para que alguma zeladora “passe a ferro”, as toalhas, os manustérgios, os sanguíneos…

Fiquem bem, e com a graça de Deus!
José Pinto

Sobre a formação litúrgica dos fiéis (2)


Continuo o meu raciocínio, iniciado na edição anterior, sobre a educação/formação litúrgica dos fiéis, particularmente no que concerne a uma participação ativa e consciente, de todos e de cada um de nós, na Eucaristia. Comecemos, pois, pelo princípio; e, sem intenção de ser exaustivo, levanto algumas questões para reflexão individual.

Quando os sinos tocam, chamando-nos para a Missa (“o culto mais sublime que oferecemos ao Senhor”), nós fazemos a caminhada, até à igreja, conscientes do que, em comunidade, aí vamos fazer: celebrar a nossa fé em Jesus Cristo; louvar, agradecer e adorar a Deus; pedir perdão pelas nossas contínuas falhas para com Deus e para com os irmãos; ouvir a Palavra do Senhor, sem esquecer de a levar para a vida quotidiana; fazer memória da Paixão do Senhor e celebrar o seu Mistério Pascal? Ou vamos, essencialmente, para nos reencontrarmos e convivermos, durante algum tempo, com os amigos?

Antes de entrarmos na igreja, desligámos o telemóvel? Depois de passarmos a porta de entrada, o que fazemos: ajoelhamo-nos, benzemo-nos e preparamo-nos interiormente para a celebração em que vamos participar? Ou vamos visitar e rezar a todas as imagens dos santos colocados, ou não, nos altares laterais, e passamos rapidamente, sem nos deter, junto ao sacrário? Ou continuamos, alegremente, a nossa conversa iniciada na rua, mesmo depois de já ter começado o cântico de entrada?

Escreveu Romano Guardini, em “Sinais Sagrados”, recentemente reeditado (2ª ed., Set2017) pelo Secretariado Nacional de Liturgia, sobre o acto de nos ajoelharmos: “Quando dobrares o joelho, não o faças apressadamente e de forma descuidada. Dá alma ao teu acto! E que a alma do teu ajoelhar consista em inclinar também o coração diante de Deus, em profunda reverência. Quando entrares ou saíres da igreja ou passares diante do altar, dobra o joelho profunda e lentamente e que todo o teu coração acompanhe este flectir. Isso há-de significar: «Meu Deus altíssimo!...» Isto sim que é humildade e verdade, e fará sempre bem à tua alma.” E sobre o acto de nos benzermos: “Quando fizeres o sinal da cruz, fá-lo bem feito. Não seja um gesto acanhado e feito à pressa, cujo significado ninguém sabe interpretar. Mas uma cruz verdadeira, lenta e ampla, da testa ao peito, dum ombro ao outro. Sentes como ela te envolve todo?”

Concluída a oração colecta (a oração do presidente da celebração que recolhe as orações de todos os que estão a celebrar a Missa, e que, habitualmente, é dirigida a Deus Pai, por Cristo, no Espírito Santo), sentamo-nos de forma adequada e predispostos a escutar a Palavra de Deus? Ou sentamo-nos, displicentemente, de perna cruzada, como quem está numa mesa de café ou num sofá em casa, e sempre curiosos com o que se passa em qualquer local da igreja?

Iniciada a Liturgia da Palavra, estamos atentos a escutar o que Deus nos quer dizer naquele momento, e que pode dar um sentido totalmente novo ao que nos acontece no dia-a-dia?  Ou aproveitamos para comentar tudo e mais alguma coisa, com o vizinho do lado?

Quando toda a assembleia recita o Credo, fazemo-lo calmamente, pensando e acreditando nas palavras que proferimos? “Creio em Deus, Pai… Creio em Jesus Cristo… Creio no Espírito Santo… Creio na Igreja… Professo um só Baptismo… Creio na vida eterna…”. Ou não?

Vou ter de continuar na próxima edição! Fiquem com Deus.

José Pinto

Um Caminho do Coração

Queridos amigos do Click To Pray,

Na nossa proposta espiritual "Um Caminho do Coração", apresentamos uma visão unificadora do caminho da Rede Mundial de Oração do Papa. Tem nove pontos, sendo que o número cinco se intitula: "Chama-nos seus amigos". Neste mês de novembro, unindo-nos à intenção do Papa – "Pelos cristãos na Ásia, para que, testemunhando o Evangelho com palavras e obras, favoreçam o diálogo, a paz e a compreensão recíproca, sobretudo com aqueles que pertencem a outras religiões" – desejo salientar o valor da amizade como desafio cristão face a outras culturas e religiões. A amizade tem estes três aspetos: diálogo, paz e compreensão mútua, que nos podem ajudar no encontro com os outros.

A Ásia é o continente mais extenso e populoso da Terra, com 4.140 milhões de habitantes, quase 61% da população mundial. Importa saber que se trata de um continente com grande riqueza espiritual e significado religioso. Isto porque as religiões mais importantes do mundo surgiram ali: o Judaísmo, o Cristianismo, o Islamismo, o Budismo e o Hinduísmo.

A religião maioritária na Ásia é o Budismo, seguido do Islão, predominante no Médio Oriente e na Ásia Central. O Hinduísmo é outra das grandes religiões. Os cristãos encontram-se em vários países, mas sobretudo nas Filipinas, em Timor Oriental, na Coreia do Sul e na Arménia. Em números mais reduzidos, também no Líbano, na Síria, na Turquia, em Israel, para citar apenas alguns países.

Há também conflitos étnicos, como o conflito israelo-palestiniano, os conflitos entre hindus e muçulmanos na Índia, Paquistão e Bangladesh, entre hindus e budistas no Sri Lanka, entre muçulmanos e budistas na Indonésia, entre muçulmanos e cristãos no Líbano e entre hindus e sikhs na Índia.

Jesus chama-nos seus amigos e convida-nos a uma aliança de amor com Ele e a amar os nossos irmãos. A todos os homens e mulheres do mundo, pois somos suas criaturas muito amadas. A nossa amizade com Ele leva-nos a olhar o mundo com os seus olhos. O nosso desafio é conseguirmos ser amigos no Senhor e dar testemunho da mensagem de Jesus com a nossa vida quotidiana.

Sobre o diálogo inter-religioso, diz-nos o Papa Francisco: "Uma atitude de abertura na verdade e no amor deve caracterizar o diálogo com os crentes das religiões não cristãs, apesar dos vários obstáculos e dificuldades..." (Evangelii gaudium, n. 250).

P. Luis Ramírez H., sj                     
Assistente Internacional Rede Mundial de Oração do Papa
Movimento Eucarístico Juvenil

Roma

Sobre a formação litúrgica dos fiéis (1)

No dia 4 de Dezembro de 1963, durante a III Sessão pública, o II Concílio Ecuménico do Vaticano aprovou a Constituição «Sacrosanctum Concilium» sobre a Sagrada Liturgia, a qual abriu o caminho para uma profunda reforma da Liturgia da Igreja Católica Apostólica Romana.

Foi o primeiro documento a ser votado, e dado o reduzidíssimo número de votos contra (4 non placet), em comparação com os votos a favor (2147 placet), este tema foi o único aprovado sem resistência pelos bispos do Concílio e adoptado quase por unanimidade. Desde então, permanece em contínua transformação, conforme prevê o mesmo documento: «Na verdade, a Liturgia compõe-se duma parte imutável, porque de instituição divina, e de partes susceptíveis de modificação, as quais podem e devem variar no decorrer do tempo, se porventura se tiverem introduzido nelas elementos que não correspondam tão bem à natureza íntima da Liturgia ou se tenham tornado menos apropriados.» (SC, 21)

A propósito da educação/formação litúrgica dos fiéis, que é de importância primordial, pode ler-se nesta Constituição: «Procurem os pastores de almas fomentar com persistência e zelo a educação litúrgica e a participação activa dos fiéis, tanto interna como externa, segundo a sua idade, condição, género de vida e grau de cultura religiosa, na convicção de que estão cumprindo um dos mais importantes múnus do dispensador fiel dos mistérios de Deus. (…).» (SC, 19)

Passados quase 54 anos desde a sua aprovação, parece-me que vai sendo tempo de se refletir e tomar consciência sobre qual é, atualmente, o grau de conhecimento dos fiéis sobre a Liturgia. Não sobre assuntos teológicos relacionados com a Liturgia, que poderão exigir alguma formação mais profunda (embora necessária e que não faz mal a ninguém…), mas sim sobre o que poderemos considerar de mais essencial, “mais básico”, (desculpem-me a expressão), para que qualquer baptizado possa celebrar dignamente a Eucaristia e participar noutras celebrações.

Quando não se sabe – porque não se aprendeu ou já se esqueceu - como fazer e/ou porque é que se faz assim e não de outra maneira, quase sempre se faz por ver fazer os outros (repetimos o que vemos), embora, muitas vezes, e lamentavelmente, de forma errada. E em vez de se dar um contributo sério e colaborar para a beleza da Liturgia, e ainda que inconscientemente, estamos a contribuir para que “o culto da majestade divina” (SC, 33) não seja participado e vivido como deve ser, com toda a dignidade e “nobre simplicidade” (SC, 34).

Diz um ditado popular, “Aprender até morrer”! No entanto, estou cada vez mais convencido de que nos assuntos relacionados com a celebração da nossa fé em Jesus Cristo, e depois da caminhada catequética até à recepção do Sacramento do Crisma (se não se interrompeu antes…), a “aprendizagem ao longo da vida” e a “formação contínua” são conceitos ou palavras vãs.

Se o Senhor Diretor da VTM me autorizar, continuarei com o meu raciocínio na próxima edição. Até lá, se Deus quiser, e “façam-me o favor de ser felizes”!

José Pinto

Eu também sou candidato!

Vivemos um tempo em que parece que as pessoas fogem, cada vez mais, dos compromissos (particularmente daqueles a longo prazo, que exigem persistência, empenho, tolerância e espírito de sacrifício); em que evitam as palavras claras [“Sim. Sim. Não. Não.” (Mt.5, 37)], antes preferindo o “nim”, o “talvez” ou expressões mais ou menos dúbias. Este também parece ser um tempo cada vez mais de “modas”, passageiras ou efémeras, do que de valores perenes, que dão sabor à vida e suportam uma vontade, ainda que muitas vezes contra a corrente!
Este é um tempo do “politicamente correto”, de propostas “fraturantes” (seja lá o que isso for!), mas, também, de conversas estagnadas, estéreis, que nenhuma melhoria trazem às pessoas, antes envenenam o ambiente familiar e sócio-comunitário. Este parece ser um tempo do “salve-se quem puder”, do “usar e deitar fora”, das pessoas descartáveis, de pura recusa ou intolerância ao sofrimento, de cada um se servir e de não servir!
Mas também é um tempo, e porque estamos em período de campanha eleitoral, em que algumas pessoas decidem comprometer-se em apresentar e defender ideias e projetos, em benefício das respetivas comunidades. Bom seria que apenas isso fosse – amplamente - discutido, no quadro da legalidade democrática!
Quando, num bendito e longínquo Domingo do Outono de 1962, os meus pais me levaram, pela primeira vez, à igreja de S. Domingos, começaram, conforme o previsto no Ritual próprio, por pedir à Igreja que eu fosse baptizado.
Iniciava, aí, e sem ter consciência de tal, uma caminhada pessoal, familiar e comunitária que, não estando pré-definida, tinha já uma meta proposta por Deus: a santidade! “Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1, 16). “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1Tes 4, 3).
Não a santidade dos atos heroicos, que pode levar aos altares e à veneração dos fiéis, mas a santidade anónima, que muito agrada a Deus, e que pode ser obtida pelo cumprimento dos nossos deveres quotidianos, rotineiros, desde que feitos com amor. De sermos capazes de chorar com os que choram e de rir com os que riem, não numa atitude de “Maria-vai-com-as-outras”, mas de expressão de uma verdadeira comunhão com os que vivem ao nosso lado, numa fraternidade viva e operante. A santidade que resulta de, como tem dito o Papa Francisco, sermos capazes de ir para as periferias (geográficas e não só…) e de sujar as mãos para aliviar a fome, a sede, a nudez, a doença, a prisão de tantos e tantos que sofrem. “Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes.” (Mt. 25, 40).
Mas eu sei que não posso alcançar a santidade apenas por mim, pelas eventuais minhas boas obras, sem ter comigo a graça de Deus, que me ilumina e fortalece, e que me dá ânimo para não desistir perante as dificuldades que surgem. A graça de Deus que me ajuda a conformar a minha vida a Jesus Cristo, de modo a que, como S. Paulo, eu possa dizer: “Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.” (Gal. 2, 20)
Apesar de tudo, e embora indigno, eu também sou candidato… à santidade!
E tu? Aceitas este desafio de também querer ser santo(a)? Aceitas comprometer-te?

José Pinto

Passeio-convívio anual dos Acólitos de Constantim


No passado dia 18 de agosto, os elementos do Grupo de Acólitos de Constantim, acompanhados pelo seu pároco, Pe. Ricardo Pinto, realizaram o seu passeio-convívio anual. Desta vez, cumpriram um itinerário pela região do Douro Litoral, tendo visitado o Mosteiro de S. Martinho de Caramos, o Mosteiro de Pombeiro e o Mosteiro de São Bento de Singeverga.

O motivo principal da visita ao Mosteiro de Caramos (Felgueiras, diocese do Porto), está intimamente ligada ao facto de Frutuoso Gonçalves (S. Frutuoso de Constantim), nascido (c. de 1070) e falecido em Constantim (10.11.1162), ter iniciado a sua vida monástica sob a regra de Santo Agostinho no Mosteiro de Caramos em 28.08.1090, e ter sido eleito canonicamente seu Prior, confirmado a 18.01.1124 pelo arcebispo de Braga, D. Payo Mendez. Após seis anos de priorado a orientar a sua comunidade, pediu renúncia do cargo e partiu para visitar os lugares santos de Jerusalém.

Tendo regressado para junto dos seus irmãos no mosteiro de Caramos, D. Frutuoso Gonçalves aí se encontrava em 1154, data em que foi feita a doação do padroado da igreja de Constantim ao mosteiro de S. Martinho de Caramos por D. Afonso Henriques, e em que, por proposta do Prior seu sucessor, D. Mendo Pirez, o arcebispo D. João Peculiar o nomeou para abade da Igreja de Constantim, onde tinha nascido, e onde veio a falecer. Nas suas exéquias, estiveram presentes todos os frades da comunidade de S. Martinho de Caramos com o arcebispo de Braga, D. João Peculiar. Foi sepultado em sepultura rasa, conforme seu pedido, em frente do altar por si dedicado a S. Frutuoso de Braga.

A Santa Cabeça, venerada, há centenas de anos em Constantim, por reis, bispos e gentes do povo, não é mais do que a parte superior do crânio de S. Frutuoso Gonçalves, principal relíquia deixada para ser tocada pelos fiéis, após ter sido feita e exumação do corpo de Frutuoso Gonçalves, em 1216, pelo arcebispo de Braga, D. Estêvão Soares, e este ter verificado que, após quarenta e quatro anos enterrado, o corpo ainda estava “alvo e corado e despedia um cheio suavíssimo”. Face a tal descoberta, e porque a fama de santidade do Abade de Constantim não parava, o arcebispo de Braga aprova-o como “santo varão”.


Durante este dia, foram, ainda, visitados o Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, localizado na freguesia de Pombeiro de Ribavizela (Felgueiras), fundado cerca do ano de 1059, e o Mosteiro de São Bento de Singeverga, da ordem religiosa beneditina, situado na freguesia de Roriz, concelho de Santo Tirso, e fundado a 25 de Janeiro de 1892.

Foi um dia muito bem passado. Por tudo quanto vimos e aprendemos, e, particularmente, pelas pessoas com quem contactamos, damos graças a Deus. Um agradecimento particular ao Rev.mo Senhor Pe André Ferreira, Pároco de Macieira da Lixa, Moure, Pinheiro e Refontoura, por toda a colaboração, por nos ter acompanhado na visita aos Mosteiros de Caramos e de Pombeiro, e, também, pelo almoço que nos proporcionou.

O Grupo de Acólitos de Constantim

Nota: as informações sobre São Frutuoso foram retiradas da obra de Joaquim Barros Ferreira, intitulada “Constantim de Panóias, Identificação de uma Vila”.


A propósito do filme "Silêncio"

Há dias, tive a oportunidade e o privilégio de poder visionar, na companhia de elementos do Grupo de Jovens de Constantim, o filme “Silêncio”, drama histórico realizado por Martin Scorsese, e que se baseia no “best-seller” homónimo escrito, em 1966, pelo japonês Shusaku Endo. No final, conversámos sobre o mesmo.

Em pleno séc. XVII, dois padres jesuítas portugueses deslocam-se, incógnitos, ao Japão, à procura do seu mentor, Pe. Cristóvão Ferreira (interpretado por Liam Neeson), que teria apostatado, isto é renegado a sua fé em Deus. O filme decorre numa época em que o catolicismo tinha sido banido no Japão, e os cristãos que se mantinham fiéis eram perseguidos, submetidos a torturas indescritíveis e mortos.

É um filme intenso, perturbador mesmo, e que nos questiona sobre alguns aspetos da nossa fé em Jesus Cristo, e o amor aos irmãos. Trata, de modo muito particular, o aparente silêncio de Deus perante o sofrimento dos cristãos.

No filme há dois aspetos que mais me tocaram. Um, foi o modo como o autor aborda a questão da confissão de quem está sempre a cometer o mesmo pecado. Kichijiro era um japonês, que, facilmente, poderíamos apelidar de cobarde e traidor, e que sempre que renegava publicamente a sua fé em Jesus Cristo, procurava avidamente a confissão, para que Deus lhe perdoasse o mal feito; e o Pe. Sebastião Rodrigues (interpretado por Andrew Garfield) – mesmo “reclamando” - sempre o ouvia em confissão e o absolvia, enquanto que o Pe. Francisco Garupe (interpretado por Adam Driver) recusava. Mesmo quando Kichijiro denunciou o Pe. Sebastião Rodrigues às autoridades japonesas, este, apesar de já estar na prisão, e de não o poder ouvir em confissão, vendo-o no pátio da prisão com um olhar que denunciava arrependimento, estendeu a mão e absolveu-o em nome de Deus, Pai Misericordioso.

O outro aspeto foi ter sido “obrigado” a fazer uma reflexão sobre o que será melhor, mais belo aos olhos de Deus: aceitar o martírio pessoal, como o Pe. Sebastião Rodrigues estava disposto a sofrer (mas esta atitude seria para “maior glória de Deus”, ou para a sua própria glória?), ou aceitar pisar a imagem de Cristo, renegando publicamente a sua fé, para salvar da morte os irmãos que estavam a ser torturados?

O aspeto principal da última parte do filme é este mesmo: o Pe. Sebastião Rodrigues debate-se, constantemente, com questões e dilemas interiores, com o “silêncio de Deus” perante o sofrimento dos cristãos. Ele está preparado para defender os seus ideais e a sua fé em Jesus Cristo até ao fim, até à morte. Mas será ele capaz de apostatar (renunciar publicamente à sua fé) para salvar outros que estão a ser torturados com água quente ou queimados vivos, atados a feixes de palha, e continuar a viver com a sua consciência?

Penso que S. Paulo, na sua Carta aos Coríntios lança um pouco de luz sobre esta questão, quando afirmou, “e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.” (1Cor 13, 3)

Só Deus, O único que vê no coração dos homens e mulheres, sabe quem é verdadeiramente apóstata, ou quem, exteriormente, “renega a sua fé em Cristo”, embora interiormente continue a acreditar n’Ele, como forma de salvar a vida de alguns dos seus irmãos.

Vale a pena ver.


José Pinto
Texto publicado no Jornal A Voz de Trás-os-Montes - 03.08.2017

Educar para a Fé, uma missão partilhada

O Município de Vila Real promoveu, no passado dia 18 de abril, no Grande Auditório do Teatro “Manuel do Nascimento Martins” - Vila Real, a realização das I Jornadas de Educação, sob o tema: “Educar, uma missão a partilhar”.
Enquanto participante nestas Jornadas, e no decorrer das mesmas, algo provocou em mim a necessidade de compartilhar uma reflexão, ainda que sucinta, sobre a educação para a Fé em Jesus Cristo, uma missão que é, ou deve ser, partilhada por todos os fiéis de uma comunidade paroquial, cada qual com o seu carisma, com a sua vocação, com a sua disponibilidade, com o seu ser em relação com o Outro e com os outros!
Diz um provérbio africano que, “Para educar uma criança, é necessária toda uma aldeia”, isto é, mesmo sem esquecer que “A família é o primeiro lugar de educação humana e cristã”, educar não deve ser dever ou direito exclusivo dos pais e/ou da família (mais ou menos alargada), antes é algo que deve ser assumido por todos aqueles que fazem parte da mesma comunidade, e que contribuem para a educação da criança, partilhando com ela o seu “saber”, o seu “saber fazer” e o seu “saber ser”, pois só assim a mesma será ou poderá ficar completa.
Educar para a Fé em Jesus Cristo é, em primeiro lugar, um dever dos pais e padrinhos (dever que assumiram no dia do baptizado da criança, perante Deus e a comunidade!), mas, também, um dever de todos os que na comunidade se relacionam com a criança, sendo que o acto/processo de educar para a fé não pode nem deve ser apenas por palavras mas, essencialmente, pelo testemunho verdadeiro na vida quotidiana.
As três grandes áreas pastorais da Igreja e de uma comunidade paroquial: evangelizar (catequese), celebrar (liturgia) e amar (acção sócio-caritativa), têm de estar todas presentes na ação/processo de educar para a fé, pois, de outro modo, se alguma delas falha, a fé não é plena, fica “manca”. Os vários grupos paroquiais, enquanto tal, e os seus membros, sob a orientação indispensável do pároco (como um maestro que dirige uma orquestra, mas que está impossibilitado de tocar todos os instrumentos) têm de dar o seu contributo para que cada uma e todas as crianças cresçam na “graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe 3, 18).
Ou seja, só através de uma complementaridade entre a Catequese [que tem como finalidade última “pôr as pessoas não apenas em contacto, mas em comunhão, em intimidade, com Jesus Cristo” (DGC, 80)], a Liturgia (na qual se torna presente o Mistério de Cristo, se invoca o Espírito Santo, e se manifesta a fé adorando a Santíssima Trindade), e a acção sócio-caritativa [através da qual se cumpre o mandamento do Senhor: “Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei.” (Jo 13, 34)], é possível educar para uma fé consciente, madura e responsável, que se inicia e se fortalece, não como um passe de magia, mas como um processo gradativo de procura e de caminhada até chegar ao feliz encontro com Aquele por quem o nosso coração anseia!
Votos de continuação de umas Santas Festas Pascais!
José Pinto
Texto publicado no Jornal "A Voz de Trás-os-Montes" - 27.04.2017 | Imagem retirada da internet

Constantim viveu intensamente a Semana Santa

Durante a Semana Santa deste ano (2017), os fiéis da Paróquia de Constantim participaram ativamente nas diversas celebrações que se realizaram durante esta semana, que o anterior Missal Romano chamava de Semana Maior.

No Domingo de Ramos, os fiéis juntaram-se no Largo de S. Frutuoso, donde, depois dos ritos iniciais e da bênção dos ramos, saíram, em procissão muito concorrida, para igreja paroquial, onde foi celebrada a Eucaristia Dominical

Na Quinta-feira Santa, pelas 21h, foi celebrada a Missa Vespertina da Ceia do Senhor, com o rito do “lava-pés”. Neste ano, o presidente da celebração, Mons. Fernando Matos, lavou os pés a doze elementos do Grupo de Jovens de Constantim, recentemente reativado.

Na Sexta-feira Santa, pelas 9h, realizou-se a tradicional Via Sacra. Este ano, cada uma das 14 estações foi encenada pelos elementos do Grupo de Jovens, de tal modo que muitos dos presentes não conseguiram conter as lágrimas, em alguns dos momentos de imenso sofrimento vividos por Jesus. Esta Via Sacra foi transmitida, em direto, online, através da página do Grupo de Catequese e Acólitos de Constantim no FB, e que teve cerca de 1800 visualizações. Pelas 14h, teve lugar a Solene Ação Litúrgica da Tarde, com a Leitura da Paixão, a Adoração à Cruz e a Comunhão.

No dia de Sábado Santo, pelas 9h45, o Grupo de Acólitos dinamizou a Liturgia das Horas (Oração de Laudes) e, pelas 23h, realizou-se, pela primeira vez em Constantim, a Solene Vigília Pascal, presidida pelo nosso pároco, Pe. Ricardo Pinto. Depois da bênção do Lume Novo no Nicho de Nª Sª de Fátima e aceso o Círio Pascal, todos os fiéis se dirigiram, em procissão, para a igreja paroquial, que foi “pequena” para acolher todos os que quiseram participar.

No Domingo da Ressurreição, o Anúncio Pascal teve início pelas 14h30, com o rito do envio de 4 equipas, que percorreram todas as ruas de Constantim, levando o anúncio da Ressurreição do Senhor Jesus a todos os lares da localidade. A Eucaristia dominical teve início pelas 17h30.


Votos de continuação de Santas Festas Pascais!

Um Tempo para dizer que Jesus Ressuscitou

Nem tudo está terminado na Vigília da Ressurreição. A festa da Páscoa estende-se por uma semana de semanas, ou seja, por cinquenta dias, tantos quantos foram os que o Ressuscitado conviveu com os Apóstolos, ora mostrando-se ora ocultando-se aos olhos deles.

Os discípulos, nos intervalos das aparições, iam repetindo, a cada amigo que encontravam, a grande novidade que lhes enchia a alma: «Cristo ressuscitou». Ainda hoje são essas as palavras utilizadas pelos cristãos orientais quando se saúdam no Domingo da Ressurreição.

Com elas também, em muitas aldeias, vilas e cidades do nosso País, o pároco cumprimenta as famílias durante a visita pascal. Ao aspergir com água benta cada casa e os que nela habitam, o sacerdote, dirigindo-se aos membros da família reunida na melhor sala da habitação, anuncia-lhes: «Cristo ressuscitou. Aleluia. Aleluia», recebendo como resposta: «Aleluia. Aleluia». E de seguida, cada um beija a imagem do Senhor crucificado que lhes é apresentada por aquele que leva a cruz paroquial.

O Tempo Pascal é tempo próprio para anunciar que Jesus ressuscitou. É tempo para viver como ressuscitados. É tempo para formar uma comunidade de testemunhas pascais.

Páscoa é a festa, a nossa festa. Não festa exterior a nós, mas a nascer do coração dos que ressuscitaram com Cristo. A sua luz transfigura-nos e Cristo ressuscitado dá à nossa vida o seu verdadeiro sentido, enchendo-a da sua própria alegria.

Páscoa é a festa da Igreja no coração do mundo. A Igreja pascal vive da vida do Ressuscitado e tem por missão ser um sinal dessa vida no mundo. Mais do que o fogo dos vulcões escondidos debaixo da terra, esta presença de Cristo vivo será, até ao fim dos tempos, uma força de transformação, capaz de renovar o coração dos homens.

É o que nos anunciam muitas leituras dos Domingos e dias de semana do Tempo Pascal, ao descreverem acontecimentos testemunhados pela comunidade mais primitiva dos discípulos de Cristo. Maria Madalena diz: «Vi o Senhor»; os dois de Emaús reconhecem Jesus ao partir o pão; os Onze, fechados numa casa em Jerusalém por medo dos judeus, dão testemunho de todas as coisas que o Ressuscitado fizera diante deles; Tomé, ao meter os dedos e a mão nas chagas de Jesus, vê e acredita; os pescadores desanimados após uma noite de faina infrutífera no mar da Galileia, vêem o barco encher-se de peixe a uma palavra do Senhor que lhes fala da margem; no dia de Pentecostes, juntam-se aos discípulos cerca de três mil pessoas; às palavras de Pedro e de João em nome de Jesus Nazareno, um coxo de nascença levanta-se de um salto, põe-se de pé e começa a caminhar, saltando e louvando a Deus; a meio da noite, o anjo do Senhor abre as portas da cadeia onde os mesmos dois Apóstolos tinham sido presos, e estes, sem compreenderem muito bem o que estava a acontecer-lhes, descobrem que estão na rua, e dirigem-se para a casa da mãe de João Marcos, onde a Igreja nascente, reunida, rezava por eles…

A novidade que a Ressurreição de Cristo introduziu nas vidas dos primeiros discípulos aparece sintetizada em duas palavras dessas mesmas leituras do Tempo Pascal: «Todos os crentes viviam unidos e punham tudo em comum», o que levava os próprios pagãos a dizer a seu respeito: «Vede como eles se amam». 

Cristo ressuscitou, e todo o homem e mulher que com Ele nasce de Deus, descobre em si um coração novo cuja lei é o amor. Quem acolhe a Ressurreição, quem crê sem ter visto, quem exprime e alimenta a sua fé no Ressuscitado cada domingo, volta para os outros um olhar maravilhado e um coração aberto. Torna-se sinal de uma outra vida.

É Deus que faz nascer no coração dos crentes o gosto das coisas belas do alto, que só se apreciam bem com o espírito, e também é Deus que leva a descobrir a necessidade de algumas realidades da terra, àqueles que Ele mesmo chama a seguir mais de perto o seu Filho. Aqui as enumeramos, sem a pretensão de ser exaustivos. São tão simples que até poderão parecer indignas de ser propostas a homens "esclarecidos pelas luzes da ciência". Mesmo assim, ousamos fazê-lo: pertencer conscientemente à Igreja fundada por Jesus; dar graças por ser seu membro vivo e activo; reunir-se, cada domingo, em assembleia, com os irmãos na fé; escutar e guardar no coração as palavras do Senhor que são espírito e vida e ensinam a caminhar para o Céu; celebrar, com outros irmãos e irmãs na fé, domingo após domingo, a morte e ressurreição de Jesus, sem nunca se cansar, mesmo quando tais reuniões colidem com outros afazeres; alimentar-se do Corpo e Sangue de Cristo para saborear como o Senhor é bom.  

Todos os que se deixam interpelar por esta graça que lhes vem do Pai das luzes, acabam por descobrir que os gestos simbólicos que se fazem na Liturgia estão repletos de uma realidade invisível. É certo que, ao repeti-los, semana após semana, as tensões e dificuldades não desaparecem por encanto. A semente que Deus vai semeando no coração dos crentes, precisa de tempo para germinar, crescer, dar fruto e transformar as pessoas, as comunidades e o mundo. Mas pouco a pouco, Jesus Cristo ressuscitado vai criando, de forma misteriosa, um mundo novo, e também vai revelando que são possíveis outras relações entre os homens.

As afirmações do autor da Carta a Diogneto serão sempre uma interpelação forte dirigida aos discípulos de Jesus em cada época histórica: «Os cristãos não se distinguem dos demais homens, nem pela pátria, nem pela língua, nem pelos costumes. A sua doutrina não procede da imaginação fantasiosa de espíritos exaltados, nem se apoia, como a de outros, em qualquer teoria simplesmente humana. Os cristãos habitam no mundo, mas não são do mundo. São de carne, mas não vivem segundo a carne. Habitam na terra, mas a sua cidade é o Céu. Obedecem às leis estabelecidas, mas pelo seu modo de vida superam as leis. Numa palavra: os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo. Tão nobre é o posto que Deus lhes assinalou, que não lhes é possível desertar».

Foram os encontros com Cristo Ressuscitado, durante os cinquenta dias que se seguiram à primeira manhã de Páscoa, que tornaram mais firme, no coração dos Apóstolos, a certeza de que o crucificado, era, afinal, Aquele que Deus estabelecera como Senhor e Messias, como Deus feito homem, como seu Filho Unigénito e Salvador da humanidade.


Na sequência dos Apóstolos, a Igreja de cada tempo é convidada a repetir encontros semelhantes e a fazer experiência idêntica. Em cada domingo, mas particularmente nos do Tempo Pascal, os olhos dos discípulos hão-de ser iluminados pelas aparições do Ressuscitado como o foram os dos Apóstolos, sob pena de irem deixando de ver o essencial. E um dos lugares dessa visão e iluminação é precisamente a assembleia litúrgica dominical, grande dádiva de Deus aos discípulos do seu Filho. Os célebres mártires de Abitínia, no ano 304, no tempo do imperador Diocleciano, tinham-no assimilado muito bem, como se vê pela leitura desta passagem das actas do interrogatório conduzido pelo funcionário imperial: «O procônsul Anulino perguntou ao leitor Emérito: "Foi em tua casa que, contra as ordens dos imperadores, se fizeram as reuniões"? Emérito, cheio do Espírito Santo, respondeu: "Sim, foi em minha casa que fizemos a reunião". O procônsul: "Porque lhes permitiste que entrassem"? Resposta: "Porque são meus irmãos, e não podia proibi-los". O procônsul: "Mas devias tê-los proibido". Emérito: "Não podia, porque não podemos viver sem a reunião dominical…"».

P. José de Leão Cordeiro

Tríduo Pascal

Num documento da reforma litúrgica que dá pelo nome de “Normas Gerais do Ano Litúrgico e do Calendário Romano” lêem-se estas palavras: “O sagrado Tríduo da Paixão e Ressurreição do Senhor é o ponto culminante de todo o ano litúrgico” (NGALC 18; EDREL 856). A este sagrado Tríduo chama-se também Tríduo Pascal: “tríduo”, por abranger um período de três dias consecutivos; “pascal”, por acontecer nas imediações da Páscoa de Jesus.
Afirmar que o Tríduo é o ponto culminante do ano litúrgico equivale a dizer que ele é o verdadeiro centro de toda a liturgia cristã. Ele não é uma simples festa, mas a festa das festas; não é apenas uma grande solenidade, mas a solenidade das solenidades cristãs (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1169). Não há, no decurso do ano litúrgico, nada maior do que ele. Santo Agostinho chamava-lhe “Tríduo de Cristo morto, sepultado e ressuscitado”.
Qual a razão desta importância ímpar do Tríduo Pascal, perguntarão os nossos leitores? A resposta volta a dá-la o documento já citado juntamente com a Constituição Litúrgica: “Porque a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus foi realizada por Cristo especialmente no seu mistério pascal” (Ibidem), e porque “Cristo está sempre presente na sua Igreja, especialmente nas acções litúrgicas” (SC 7). É esta presença de Cristo, particularmente nas celebrações do Tríduo Pascal, que faz delas o ponto culminante da liturgia cristã.
Está quase a chegar o Tríduo Pascal deste ano. O seu início vai acontecer «na Missa da Ceia do Senhor» (tarde de Quinta-Feira santa). Mas o Tríduo propriamente dito será a Sexta-Feira Santa (dia da paixão, morte e sepultura de Jesus), o Sábado Santo (dia em que o corpo de Cristo repousou no sepulcro) e o Domingo (dia da ressurreição e das primeiras aparições de Jesus). O coração pulsante do grande Mistério é a «Vigília Pascal, mãe de todas as santas vigílias» (NGALC 19.21; EDREL 857.859).
Bendito seja Deus pela Liturgia destes três dias santíssimos. Não é para recordar factos do passado, por mais importantes que sejam, que participamos nas celebrações do Tríduo, mas para tornar presente um Mistério, cuja eficácia nos envolve e une a Cristo. O Senhor da cruz, do túmulo e da ressurreição toca-nos naqueles ritos, ilumina-nos nas palavras e cânticos que proferimos e escutamos. Não somos nós que nos tornamos santos, mas é Cristo que nos santifica através da participação viva, consciente e activa nestas celebrações.
Se já adquiriste o hábito de não trocar a participação no Tríduo por outras ocupações da tua vida, dá graças ao Senhor e continua a fazê-lo. Se, pelo contrário, nunca participaste nas suas celebrações, deixa-me dizer- -te que ainda não descobriste o que é começar a ser cristão deveras. Se quiseres, aceita livremente o meu convite: vem ao Tríduo. Nele encontrarás Cristo, e, se não Lhe opuseres resistência, Ele transformará a tua vida.
Mais do que tu próprio, por tuas orações e trabalhos, é Cristo, na Liturgia, que te torna cristão a valer. O cristianismo não é um voluntarismo. É um DOM. Vem do Pai, não nasce de ti, embora procure e suscite em ti a resposta da tua liberdade. Pela Liturgia da terra participa desde já, cristão, na Liturgia celeste que eternamente é celebrada no seio da Santíssima Trindade.
P. José de Leão Cordeiro (Secretariado Nacional de Liturgia)

Abril de 2017

Quaresma


Quarta-feira de Cinzas – este ano a um de Março - marca a entrada oficial na Quaresma e no ciclo da Páscoa. Na celebração litúrgica são impostas as cinzas, normalmente obtidas dos ramos do ano passado, guardados para este rito.

O povo hebreu, do Antigo Testamento, nas celebrações penitenciais, cobria a cabeça de cinzas e revestia-se de saco (Jer.6, 26; Jon.3, 5-9; Mt.11, 21). Embora, nos começos, este rito não fosse directamente associado ao início da Quaresma, desde muito cedo – anos 300 – algumas igrejas locais o integraram na penitência pública àqueles que caíam nos chamados “pecados capitais” e pediam a readmissão na comunidade: apostasia, heresia, assassinato, adultérios… Aqueles que reconheciam terem praticado esses pecados eram colocados no lugar reservado aos penitentes… e aí se preparavam para receberem a absolvição em Quinta-feira Santa.

Ainda hoje a Quaresma pretende preparar-nos para celebrarmos com o verdadeiro espírito a Páscoa do Senhor.

*****

Dia a Sagrada Escritura: «Feliz o homem que não segue o caminho dos ímpios… antes na lei do Senhor põe o seu enlevo.» (Salmo 1, 1-2)

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Se por todos és benquisto
E vives em paz completa,
Então, no dizer de Cristo,
Tu és um falso profeta.

Mas, se a verdade defendes,
Mesmo contra o mundo inteiro,
E não foges nem te rendes
És um homem verdadeiro.

(Pe. João Parente em A Escalada)

Plano de Atividades do Grupo de Acólitos de Constantim para 2017

Introdução

O Grupo de Acólitos de Constantim (GAC) foi criado em 2011 e tem como principais objetivos:
• Servir Jesus Cristo e a comunidade paroquial de Constantim nas celebrações litúrgicas, especialmente na celebração da Santa Missa e no culto ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia;
• Ajudar a desenvolver e a fortalecer nos seus elementos, uma fé, esclarecida e madura, na Santíssima Trindade, nascida de um encontro pessoal e amoroso com Jesus Cristo; uma fé em contínuo crescimento, e de acordo com a idade e o desenvolvimento cognitivo e afetivo de cada um dos seus membros;
• Ajudar os seus membros a crescerem em “sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2, 52), a exemplo de Jesus Cristo, e com Ele aprenderem a viver na obediência à vontade do Pai;
• Dar testemunho da sua fé em Jesus Cristo, não só durante as celebrações litúrgicas ou atividades paroquiais, diocesanas ou nacionais, mas na vida quotidiana: na família, na aldeia, junto dos amigos, na escola, onde quer que estejam!
• Promover e/ou participar em atividades diversificadas, no âmbito religioso, sócio-caritativo, cultural e lúdico, conscientes de que um cristão deve estar verdadeiramente inserido no mundo, e nele ser “sal e fermento”, sempre cheio de sã alegria. Pois, como disse o Papa Francisco, “O cristão é um homem e uma mulher da alegria, um homem e uma mulher com a alegria no coração. Não existe cristão sem alegria!” (1)
• Incutir nos seus membros, o gosto e a disponibilidade interior pela descoberta do verdadeiro sentido do que Jesus nos pede no Evangelho, o respeito pelo outro, a alegria, o espírito missionário, a sinceridade, o trabalho, a dedicação, a amizade, a persistência, o sentido de responsabilidade, a humildade, a gratuitidade, enfim, o Amor a Deus e ao próximo!
Com a elaboração deste Plano de Atividades – que se deseja continuar nos próximos anos - pretende-se que os membros do GAC reconheçam a necessidade e a boa prática de se planificar e preparar as atividades, atempadamente e com empenho, para que as mesmas possam decorrer com normalidade, para benefício de todos os participantes e a maior glória de Deus, tendo sempre presente a necessária e imprescindível ajuda do Senhor, pois, como diz o Salmo 127:
Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam;
se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela.” (Sl 127, 1)

Colocamos nas mãos de Santa Maria da Feira, padroeira da nossa paróquia, todos os nossos propósitos para 2017, pedindo-lhe que interceda junto de Seu Filho, e nosso Salvador, Jesus Cristo, pelo nosso pároco, pelos nossos familiares e amigos, pelos membros da comunidade paroquial de Constantim e por todos nós.

Plano de Atividades para 2017
Em reunião realizada no dia 30 de Dezembro de 2016, no Centro Social e Paroquial de Constantim, os elementos do Grupo de Acólitos de Constantim decidiram elaborar o seguinte Plano de Atividades para 2017, e submetê-lo à aprovação do nosso Pároco, Rev.mo Senhor Pe. Ricardo Pinto.
I – Janeiro e Fevereiro
- Data a definir – “Cantar os Reis / Janeiras” ao Senhor Bispo, D. Amândio Tomás;
- 22 de Janeiro - Participação na procissão da Festa em honra do mártir S. Sebastião;
- 2º Sábado de cada mês – 17h00 - Reunião mensal (2);
II - Março e Abril
- 2º Sábado de cada mês – 17h00 - Reunião mensal – preparar a participação dos elementos do Grupo nas celebrações da Semana Santa;
- Data a definir – Caminhada / reflexão quaresmal / celebração penitencial (3);
- Semana Santa – participar nas celebrações a realizar na paróquia e/ou noutras paróquias;
- Data(s) a definir – Participação na(s) Via(s) Sacra(s) na paróquia;
III – Maio e Junho
- 1 de Maio - Participação na Peregrinação Nacional dos Acólitos a Fátima;
- Data a definir - Animação da Oração do Terço num dos dias do “Mês de Maria”;
- 2º Sábado de cada mês – 17h00 - Reunião mensal;
- Data a definir - Visita ao Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro (freguesia de Pombeiro de Ribavizela, concelho de Felgueiras) e ao Mosteiro de São Martinho de Caramos (4)  (União das Freguesias de Macieira da Lixa, concelho de Felgueiras);
IV – Julho e Agosto
- 2º Sábado de Julho – 17h00 - Reunião mensal;
- Data a definir - Dia do convívio anual;
- 30 de Julho - Participação na procissão da Festa em honra de Sta Maria da Feira, Sta Bárbara e S. Frutuoso;
- Data a definir em Julho - Acampamento com caminhada até ao santuário de Nª Sª de La Salette – Vila Cova;
V – Setembro e Outubro
- 2º Sábado de cada mês – 17h00 - Reunião mensal;
- Período de inscrições para novos acólitos;
VI – Novembro e Dezembro
- 2º Sábado de cada mês – 17h00 - Reunião mensal;
- Renovação do compromisso dos acólitos, admissão e investidura de novos acólitos, durante a Eucaristia Dominical - Domingo I do Advento 2017;
- Em data a definir - Organizar, com a colaboração de grupos culturais, etc., uma Festa de Natal no CHTMAD;
VII - Ao longo do ano
- Participação em atividades do Arciprestado do Centro I, da Diocese de Vila Real e nacionais, direta ou indiretamente relacionadas com os Acólitos;
- Realização de intercâmbios/convívios com Grupos de Acólitos de outras paróquias;
- Publicação de um Boletim (In)Formativo;
- Angariação de fundos para custear as despesas com as atividades do Grupo de Acólitos;
- Atividades pontuais;
Notas:
(1)  Homilia na capela da Casa de Santa Marta, maio 2016;
(2) Sempre que seja possível, com momentos para adoração ao SS. Sacramento, oração, reflexão pessoal e em grupo, formação, informações, preparação e avaliação de atividades, etc., no salão paroquial ou no Centro Social e Paroquial de Constantim;
(3)  A realizar na capela de Sta Bárbara ou na capela de S. Gonçalo - Constantim ou no santuário de Nª Sª da Pena – Mouçós, dependendo das condições climatéricas;
(4)  A igreja de Constantim e respetivo padroado foram pertença do Mosteiro de São Martinho de Caramos, por doação de D. Afonso Henriques, em 1154, confirmada por D. Dinis em 1297. Mais tarde aparecem como pertença da colegiada de Guimarães (atual Colegiada de Nª Sª da Oliveira).

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