Rectidão de espírito


No documento sobre a Liturgia, o Concílio Vaticano II diz-nos no nº11: «é necessário que os fiéis celebrem a Liturgia com a rectidão de espírito, unam a sua mente às palavras que pronunciam, cooperem com a graça de Deus, não aconteça de a receberem em vão».

Bento XVI tem insistido na unidade que deve existir entre o coração e os lábios; na última visita à Alemanha, disse: «os agnósticos… os que sofrem por causa dos seus pecados e têm o desejo de um coração puro estão mais próximos do Reino de Deus que os fiéis rotineiros». Em Outubro passado, no encontro ecuménico em Assis, chamou a atenção dos crentes que participam publicamente nos mistérios sagrados e que, muitas vezes, mostram uma imagem deformada de Deus.

Não basta a presença nos actos litúrgicos sem nos deixarmos tocar pela fé. A participação nos sagrados Mistérios exige, como disposição prévia, a purificação e a recta intenção.

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Diz a Sagrada Escritura: «Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, para que as suas obras sejam manifestas, pois são feitas em Deus». (Jo. 3, 21)

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Quaresma bem conseguida,
Se um cristão quer ser perfeito,
Só a há, se for vivida
A corrigir um defeito.

Se queres nesta Quaresma
Corrigir-te, não te iludas:
Se não rezares, não mudas
E deixas tudo na mesma.

In Jornal “Avé Maria” (Semanário) – 26 de Fevereiro de 2012

O “Sacramento” da Quaresma

Os textos da Quaresma, quadra litúrgica em que vamos entrar, falam-nos do “sacramento da Quaresma”. “Sacramento” quer dizer “sinal” e a Quaresma é verdadeiro sacramento, é sinal eficaz da salvação que o Senhor nos oferece.

O mais importante não é o que nós faremos – mais penitência e oração, mas o que o Senhor quer fazer em nós e connosco. A graça que Ele nos comunica é mais importante que as nossas orações, penitências e renúncias.

São 40 dias de escuta da Palavra de Deus, de caminhada com os olhos n’Ele, de preparação, na alegria para a Páscoa… mais importante que a Quaresma.

O Concílio recomenda-nos: “Ponham-se em relevo, tanto na Liturgia como na catequese litúrgica, os dois aspectos característicos do tempo quaresmal, que pretendem, preparar os fiéis, (…) que devem ouvir com mais frequência a Palavra de Deus e dar-se à oração com mais insistência, para a celebração do mistério pascal” (SC.10)

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Diz a Sagrada Escritura: «Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras diante dos homens para sedes vistos por eles». (Mt. 6, 1)

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Quaresma é tempo de calma
E de olhar mais para dentro,
Para o mistério do centro
A que nós chamamos alma.

Não queiras ser um cristão
Só de jejuns e abstinências
Que a melhor das penitências
É mudar o coração.

In Jornal “Avé Maria” (Semanário) – 19 de Fevereiro de 2012

Da Quaresma à Páscoa

«És pó e ao pó voltarás» (Génesis 3,19).

Quando? Amanhã? No próximo ano? Daqui a 20 anos? Que importa... Esse grão de pó sobre a tua cabeça é o teu destino inelutável. Por isso emprega bem os teus curtos anos, converte-te, volta-te para Cristo, que só ele te pode dar perdão e vida.

É assim que começamos a Quaresma, tempo de conversão e austeridade, mas também tempo de uma alegria contida, a alegria de um coração purificado. Trata-se de nos prepararmos para as festas pascais. A Quaresma é o caminho para uma festa!

«Quando jejuardes, não mostreis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto para que os outros vejam que eles jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa» (Mateus 6,16).

Escutemos bem estas palavras e apliquemo-las como norma de conduta, não apenas na Quaresma mas em toda a nossa vida cristã, porque ela não é senão uma longa preparação para as festas pascais definitivas.

«Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que o teu jejum não seja conhecido dos homens, mas apenas do teu Pai que está presente no oculto; e o teu Pai, que vê no oculto, há de recompensar-te» (Mateus 6,17-18).

Que grandeza há no silêncio – não o silêncio nefasto da falta mas no da virtude, que é perfeito quando dele não se tem consciência – e que força se pode extrair dele. A alegria cristã é a simplicidade de uma fé, a seriedade de uma esperança, a vitalidade do amor.

Na Quaresma a liturgia despe-se dos seus aleluias e glórias, convidando-nos a um estreitamento de vida, a um despojamento do supérfluo, a um tempo de germinação escondida e profunda, iluminada sempre por uma esperança e uma espera. Ela convida-nos a entrar em nós mesmos para nos mergulhar nas fontes da vida, em Cristo. Ela incita-nos a reencontrar o nosso verdadeiro rosto num esforço de autenticidade e lucidez, na oração e na caridade, para que, modelados à imagem de Cristo, sejamos capazes de uma comunhão mais profunda no seu mistério.

Sim, porque o mistério de Cristo não é algo que esteja fora de nós; ele é o que nós somos e o que somos chamados a ser. O seu drama é o nosso. A nossa cruz não é outra que a de Cristo, é o seu amor em nós que a carrega. A nossa verdadeira vida é a vida do Ressuscitado em nós. Se a liturgia nos conduz pelos passos de Cristo é para nos ensinar o caminho que é também o nosso.

O drama que se evoca na Quaresma não é apenas a recordação de um acontecimento passado mas a atualização do drama de Cristo, aqui e agora, para nós, que nos coloca diante da opção decisiva da fé e do amor. Procuremos portanto estar em harmonia com o espírito da liturgia deste tempo e acolher a seiva de vida que nos oferece.

Um monge cartuxo
(recebido via email)

Não te contentes

Não te contentes
em receber a cinza na cabeça.
Lembra-te que és pó.

Não te contentes
em arrepender-te.
Acredita no Evangelho.

Não te contentes
em converter os outros.
Converte-te.

Não te contentes
em mudar a cor das coisas.
Muda as coisas.

Não te contentes
em ser feliz.
Faz feliz alguém.
Não te contentes
em esperar a Terra Prometida.
Aceita o Reino que já chegou.

Não te contentes
em ler este poema de boas intenções.
Faz o teu de realidades.

(recebido via email)


Dia Mundial do Doente


O Bom Samaritano (Lc 10, 25-37)

Todos os anos, a 11 de Fevereiro, memória da Bem-Aventurada Virgem Maria de Lurdes, a Igreja celebra o Dia Mundial do Doente. Como nos anos anteriores, o Santo Padre publicou uma Mensagem: Levanta-te e vai, a tua fé te salvou! Nela renova a sua proximidade espiritual a todos os doentes e lhes manifesta o afeto da Igreja. “Neste ano, que constitui a preparação mais próxima para o solene Dia Mundial do Doente, que será celebrado na Alemanha, no dia 11 de Fevereiro de 2013 e que meditará sobre a emblemática figura evangélica do bom samaritano, gostaria de chamar a atenção para os “Sacramentos de cura”, ou seja o Sacramento da Penitência e o Sacramento da Unção dos Enfermos”.

Esta jornada interpela-nos a todos no sentido de proporcionarmos aos doentes uma vida digna, que beneficiem da ternura da família, de assistência humana, de cuidados médicos e do acompanhamento espiritual de que necessitam.

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Diz a Sagrada Escritura:Algum de vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja e que estes orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o aliviará; e, se tiver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados”. (Tg. 5, 1-15)

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A dor é grande mistério
E um dos modernos tabus;
Mas Cristo morreu na Cruz
E levou a dor a sério.

No ouro vem a impureza
Da ganga que lhe compete;
Mas o fogo que o derrete
Dá-lhe valor e beleza.

In Jornal “Avé Maria” (Semanário) – 5 de Fevereiro de 2012

Serás feliz se…

Raoul Follereau

Serás feliz se servires os outros, é uma frase de Raoul Follereau, o apóstolo dos leprosos, católico convicto que, nos anos 50, escreveu uma carta aberta aos presidentes dos Estados Unidos e da Rússia: “O que vos peço é muito pouco. Dai-me, cada um de vós, um dos vossos bombardeiros. Com o preço desses aviões curarei todos os leprosos do mundo”. A carta não obteve resposta e, hoje, entre 15 e 18 milhões de leprosos continuam sem tratamento.

Conseguiu que as Nações Unidas reconhecessem os leprosos como qualquer outro cidadão e, em 1954, instituiu o Dia Mundial da Lepra que se celebra amanhã [30 de Janeiro].

Calcula-se que entre 10 a 15 milhões não são tratados e que, em cada ano, surgem 400 a 500 mil novos casos devido à pobreza, má nutrição, falta de água potável e de higiene. No início, 25 euros são suficientes para a curar.

Precisam da tua ajuda. Se queres ser feliz…

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Diz a Sagrada Escritura: «Quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: - Somos servos inúteis, fizemos o que devíamos». (Lc. 17, 10)

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É um dado esperançoso
Dos mais recentes estudos
Que com cinco mil escudos
Pode curar-se um leproso.

E, se a lepra te afligisse,
Julgarias ser traiçoeiro
Que por tão pouco dinheiro
Um cristão não te acudisse.

In “Jornal Avé Maria” (Semanário) – 29 de Janeiro de 2012

Grave dever de consciência

A Semana da Unidade, que estamos a celebrar, é, sobretudo, tempo de oração. Rezando, meditaremos na melhor forma de corresponder ao desejo de Jesus, de que todos creiam n’Ele e no Seu Evangelho, de que todos “sejam um”.

Esta grave obrigação que a todos compromete, é, para cada um de nós, grave dever de consciência. Quando Ele nos chamar… não seremos interrogados sobre a realização concreta da unidade dos cristãos, mas se pela oração e pelo sacrifício contribuímos para o seu bom êxito.

A separação dos cristãos – discípulos de Cristo que O reconhecem Filho de Deus e único Salvador, que pregam e tentam viver o amor que Ele trouxe à terra… é motivo de escândalo, é obstáculo sério para que muitos dêem o passo decisivo para Cristo.

Que esta Semana seja mais um marco na nossa vida para que também possa sê-lo na vida da Igreja.

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Diz a Sagrada Escritura: «Eu dei-lhes (aos Apóstolos) a glória que Tu me deste, de modo que sejam um, como Nós somos um. Eu neles e Tu em mim, para que eles cheguem à perfeição da unidade, e assim o mundo reconheça que tu me enviaste e que os amaste a eles como a mim». (Jo 17, 22-23)

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Não devia ser, mas é
Uma triste realidade
Que ande toda a cristandade
Tão dividida na fé.

Maria, que dor intensa
Ver os filhos Teus amados
Há séculos separados
E em constante desavença.

In “Jornal Avé Maria” (Semanário) – 22 de Janeiro de 2012

Pensamentos sobre Deus

Ó Deus, como serias pequeno, se a minha inteligência te pudesse compreender!
S. Francisco de Sales

«Irmã amendoeira, fala-me de Deus!» E a amendoeira cobriu-se de flores.
Nikos Kazantkakis

Com Deus, o mundo é um mistério. Sem Deus, o mundo é um absurdo.
Sílvio Solero

De Deus esperamos provas da sua existência, mas Ele dá-nos provas do seu amor.
Gilbert Cesbron

O ateu é um filho que se esforça por se convencer de não ter pai.
Alphonse Lamartine

A maior parte das pessoas vê a Deus como o aviador vê o pára-quedas. Tem-no perto mas não espera precisar dele.
Clive Lewis

Quereis que vos diga uma coisa estranha? Quando me tornei pai, percebi que Deus é pai de todos os homens.
Honoré de Balzac

Acreditar significa reconhecer que somos amados.
François Mauriac

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