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A Reconciliação pela Páscoa

Continua a ter sentido a celebração do sacramento da confissão pela Páscoa. O caminho quaresmal da purificação e de conversão… leva-nos, naturalmente, à reconciliação com Deus, connosco e com os outros.

Este sacramento – chamemos-lhe: “confissão”, “penitência” ou “reconciliação” – foi instituído pelo Senhor no dia de Páscoa e é, de facto, o sacramento da Páscoa. Na tarde desse dia, a Igreja recebeu do seu Senhor a missão de anunciar a Boa Nova da Misericórdia: Jesus soprou sobre os Apóstolos reunidos no cenáculo e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos” (Jo 20, 22-23).

É bom entrarmos na Páscoa – a passagem com Cristo para a Vida Nova – celebrando com humildade este sacramento que nos leva a morrer para o pecado e a reconciliarmo-nos com Deus, com os outros e connosco… para podermos acolher em nós a Vida do Ressuscitado.

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Diz a Sagrada Escritura: «Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos». (Jo 20, 23)

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É na cristã penitência,
Sacramento do perdão,
Onde o bom cristão
Vai lavar a consciência.

É o encontro acolhedor
De pessoa com pessoa
Entre Jesus, que perdoa,
E um contrito pecador.

In Jornal “Avé Maria” (Semanário) – Vila Real, 10.03.2013

Celebrações Penitenciais

Ao longo da Quaresma multiplicam-se as celebrações penitenciais, de todo o género: comunitárias com a acusação e absolvição individuais, preparadas ao longo de encontros e, no dia e hora determinados, cada penitente se aproxima do confessor… Não há Quaresma bem vivida, nem Páscoa, sem a celebração do sacramento da confissão ou reconciliação. Nem católico consciente que o não receba.

O pecado desumaniza, é experiência de desordem, de destruição da nossa dignidade, de solidão, de tristeza. Onde Deus não está não existe alegria. Embora humano e universal, para quem tem fé, ele não é o indicador da identidade humana.

As experiências do bem e do pecado encontram-se em nós, no nosso íntimo: ou somos bons ou pecadores. Por dom de Deus, porém, estamos chamados a ser, graças à obra salvadora de Cristo, filhos de Deus e irmãos de Jesus… e é no sacramento do perdão, depois de cairmos na situação de pecado, que isso se realiza.

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Diz a Sagrada Escritura: «Foi Deus Quem reconciliou o mundo consigo, em Cristo, não imputando aos homens os seus pecados, e pondo em nós a palavra de reconciliação…» (IICor. 5, 19)

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Se queres ter alegria,
Põe em prática a ciência
De viver em harmonia
Com a tua consciência.

Todo o cristão deve crer
Que o evangelho é força e luz,
Só pelo fato de ser
A palavra de Jesus.

In Jornal “Avé Maria” (Semanário) – 25.03.2012

Quaresma, tempo de conversão

A nossa caminhada quaresmal não pode contentar-se com formalidades nem como o pouco mais ou menos… há-de atingir-nos no mais profundo de nós mesmos, levar-nos à conversão. Converter-nos é “morrer com Cristo para com Ele ressuscitarmos”.

A conversão autêntica, por isso, faz doer, implica cortar, deixar, mudar, reformar… o que sempre doer. Se o não faz… é porque ainda “não pusemos o dedo na chaga” e ainda continuamos nas formalidades e nos atos exteriores que nada têm a ver com o nosso íntimo. É mais fácil darmos uma esmola, deixarmos de tomar um cálice… do que evitarmos seriamente uma ocasião de pecado, fazer guerra ao egoísmo… Não, nesse caso, a Quaresma ainda não atingiu a raiz da nossa personalidade, nem nos conferirá o direito de tocar as campainhas da Páscoa.

Celebrar a Quaresma é vermo-nos ao espelho de Cristo e encararmo-nos à luz das suas exigências. Não nos deixará ficar na superficialidade.

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Diz a Sagrada Escritura: «O jejum que me agrada é este: libertar os que foram presos injustamente… repartir o pão com os esfomeados… dar abrigo… vestir os nus e não desprezar o teu irmão…» (Is. 58, 6-7)

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O linho, para ser linho,
Sofre tantas provas duras!
Mas, depois dessas torturas,
Vai aos altares, branquinho.

Irmão que me lês, tem calma,
Se és desprezado ou doente,
Porque a dor é o detergente
Que branqueia a tua alma.

In Jornal “Avé Maria” (Semanário) – 18.03.2012

Jornal "Avé Maria" - Nº 2603 (Semanário) - Vila Real - 27 de Março de 2011

Quaresma – Tempo de Penitência e Reconciliação

A Igreja, na Liturgia das Horas, reza todas as sextas-feiras do ano o Salmo 50. Ao longo da Quaresma, na Eucaristia, é rezado cinco vezes, quatro das quais nos primeiros dias: “Tende compaixão de mim, ó Deu…” Que “compaixão”?

Não nos enganemos, não se trata tanto de pedir perdão das nossas faltas mas de um chamamento à conversão: a certeza de um futuro sempre aberto e possível, por mais densas que sejam as sombras que envolvam a nossa vida pessoal e comunitária. Trata-se de um pedido insistente que o Senhor realize o seu projecto salvador e reconciliador em nós e no mundo.

E se aproveitássemos este tempo da Quaresma, como a Igreja nos convida, para vivermos plenamente este Salmo, encontrando um padre para celebrarmos a Penitência e a Reconciliação, “acolhermos o perdão de Deus e dele sermos testemunhas junto dos outros”?

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Diz a Sagrada Escritura:
«Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.» (Jo. 20, 22-23)

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É na cristã penitência,
Sacramento do perdão,
Onde todo o bom cristão
Vai lavar a consciência.

É o encontro acolhedor
De pessoa com pessoa
Entre Jesus, que perdoa,
E um contrito pecador.

«Deus é, Para nós, um Pai de misericórdia»

Quantas vezes, ao lermos e reflectirmos sobre a Parábola do Filho Pródigo (Lc.15, 11-32), não nos identificamos com o filho mais novo na atitude de «ruptura» inicial com o Pai, no posterior estilo de vida muito pouco em conformidade com a vontade e o projecto desse mesmo Pai e, finalmente, não reconhecemos na sua atitude final uma atitude semelhante à que também assumimos quando nos aproximamos do Sacramento da Reconciliação para nos encontrarmos, de novo e em ambiente de festa, com Deus-Pai?

Ao mesmo tempo, quantas vezes não nos identificamos com a atitude invejosa e cheia de cólera do filho mais velho, ao não aceitar o irmão de volta à casa paterna?

No entanto, e apesar do nome dado à parábola, a personagem principal é o PAI, pois são as Suas atitudes e palavras que, de um modo singelo mas marcante, nos revelam todo o Amor e Misericórdia que Deus-Pai tem para com os pecadores.

Se reflectirmos com atenção naquela parábola, constatamos que, contrariamente ao que seria de esperar e como era costume, o pai, ainda em vida, aceita fazer “partilhas”, e dar ao filho mais novo, de acordo com o pedido deste, a parte da herança que lhe correspondia: «E o pai repartiu os bens entre eles» (Lc.15, 12).

O filho, ao exigir do pai a sua parte da herança, age como se o pai já estivesse morto, pois só com a morte do pai poderia alcançar a liberdade desejada… E o pai, numa atitude verdadeiramente desconcertante, respeita a vontade do filho, e, dando-lhe a sua parte da herança, aceita que aquele seja “livre”, numa “liberdade” que conduz à devassidão, à privação, à tristeza, à morte.

Porém, essa liberdade também conduz, mais tarde, o filho a um regresso consciente e livre para o pai, que o esperava ansioso, de braços abertos, cheio de alegria, de bondade, de compreensão e de compaixão, e sem atitudes negativas de crítica, de julgamento ou de condenação. «Trazei depressa a mais bela túnica e vesti-lha; ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o; comamos e alegremo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e encontrou-se. E a festa principiou.» (Lc.15, 22-24).

Também Deus-Pai não quer que a adesão do Homem a Si e ao Seu Projecto de Vida Eterna seja feita contra a vontade deste, com constrangimentos ou como de um escravo se tratasse, antes deseja que seja fruto de uma decisão consciente e verdadeiramente livre por parte dos homens e das mulheres de cada tempo e de cada lugar.

Na Parábola, e do princípio ao fim, o pai permanece sempre o mesmo, sem mudar as suas atitudes. O filho é que, por força das circunstâncias, é convidado e aceita fazer uma reorientação radical de todo o seu modo de pensar e de viver (metanoia), a converter-se e a regressar a casa para se encontrar, de novo com o seu pai: «E, caindo em si disse: Quantos jornaleiros de meu pai têm pão em abundância e eu, aqui, morro de fome! Levantar-me-ei e irei ter com o meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o Céu e contra ti, já não sou digno de ser chamado teu filho, trata-me como um dos teus jornaleiros. E, levantando-se, foi ter com o pai.» (Lc.15, 17-20).

Através da Parábola do Filho Pródigo (a que também poderíamos chamar de Parábola do Pai Misericordioso), Jesus revela-nos em toda a sua dimensão o amor misericordioso que Deus tem para com os pecadores. É que Deus não quer o pecado, mas aceita, de braços abertos, todos os pecadores que, convertidos e renovados pelo Sacramento da Reconciliação, desejam voltar à “Casa do Pai”.

Como refere a Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa, DEUS-PAI, CRIADOR E SENHOR, no seu nº15, «Somos convidados, para descobrir este amor misericordioso de Deus, a valorizar a celebração deste sacramento. Nele, pela força do Espírito Santo, o cristão faz a experiência do Deus misericordioso, que nos acolhe como um Pai e nos reenvia, para a comunidade e para a sociedade, como anunciadores da misericórdia e do perdão. O próprio Jesus recomendou aos discípulos: “Mostrai-vos misericordiosos, como o Vosso Pai é misericordioso.” (Lc.6, 36).»

Texto: José Pinto e Lídia Branco
Imagem: Bartolomé Esteban Murillo, O regresso do filho pródigo (1667-1670)