Pentecostes


Mais que uma Pessoa, no Pentecostes – cinquenta dias depois da Páscoa – celebramos um acontecimento que faz tomar consciência da presença do Espírito de Deus no mundo, muda as relações entre Deus e os homens, leva à plenitude a Páscoa de Jesus, completa pelo Espírito Santo a sua obra redentora.

A partir do Pentecostes, os Apóstolos leram a Sagrada Escritura e a própria vida de Jesus com outros olhos. “Jesus que vós matastes, Deus ressuscitou-O e nós somos testemunhas. Ele nos envia a anunciar a Boa Nova ao mundo inteiro até ao fim dos tempos.” E aqueles homens que, dias antes, negaram e traíram Jesus, O abandonaram cobardemente e se esconderam com medo… nunca mais tremeriam diante de um tribunal humano.

E este Espírito que transformou os Apóstolos está presente no mundo, na Igreja.

A Igreja comunica-O pelos Sacramentos, nomeadamente pelo Baptismo e Confirmação. Que fazemos nós desta Presença?

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Diz a Sagrada Escritura: «Ninguém pode dizer ‘Jesus é o Senhor? Senão pelo Espírito Santo”. (1Cor. 12, 3)

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A Escritura nos ensina
Que é o Espírito de Deus
Que faz da Terra e dos Céus
Uma família divina.

Cria assim um mundo novo
Em que o Amor é presente,
Como força veemente
A conduzir o Seu Povo.

In Jornal “Avé Maria” (Semanário) – 27.05.2012

A consciência dos Jovens quanto à sua missão na Igreja

(Este texto foi elaborado no âmbito das Jornadas Diocesanas da Juventude, realizadas no 10 de Junho de 1998, no Colégio Salesiano de Poiares - Régua, e promovidas pelo Secretariado Diocesano da Juventude de Vila Real, e que agora partilho, particularmente, com os jovens visitantes deste blogue.)

Introdução

Fundada por vontade expressa de Jesus Cristo(1), a Igreja inicia a sua actividade de anúncio do Evangelho, cresce, fortalece-se e renova-se constantemente pela força operante e consoladora do Espírito Santo, enviado pelo mesmo Jesus Ressuscitado que antes O havia prometido: «Quando vier o Paráclito, que vos enviarei de junto do Pai, o Espírito da Verdade, que vem do Pai, ele dará testemunho de mim.» (Jo.15,26).

Esta Igreja, «comunidade de fé, esperança e caridade, (...) que no Credo confessamos ser una, santa, católica e apostólica» (LG,8) é constituída por todos os que «fomos baptizados no mesmo Espírito, para formarmos um só corpo» (1 Cor.12, 13), pois «assim como todos os membros do corpo humano, apesar de serem muitos, formam no entanto um só corpo, assim também os fiéis em Cristo.» (LG, 7). A unidade dos fiéis é operada e fortalecida pela acção constante e atenta do Espírito Santo, de tal modo que há uma verdadeira coesão íntima entre os diversos membros deste corpo. «A cabeça deste corpo é Cristo.» (LG.7), pelo que, a Igreja é o Corpo Místico de Cristo.

Tal como no corpo humano cada membro e cada órgão tem a sua função específica, também na Igreja, e de acordo com a distribuição que o Espírito faz «dos seus vários dons segundo a sua riqueza e as necessidades dos ministérios para utilidade da Igreja» (LG, 7), cada um de nós tem uma missão própria a cumprir para a edificação do Corpo Místico de Cristo.

É sobre a missão dos jovens na Igreja, e a sua consciência – ou não – deste facto, que me proponho elaborar este meu singelo contributo, desejando que o mesmo possa ser de alguma utilidade para o êxito das Jornadas Diocesanas da Juventude, que se vão realizar no próximo dia 10 de Junho de 1998, no Colégio Salesiano de Poiares (Régua), e promovidas pelo Secretariado Diocesano da Juventude de Vila Real.

1.- No limiar do 3º milénio, e sob os auspícios do Concílio Vaticano II – sempre actual e com muitas potencialidades ainda por descobrir -, importa que os jovens se disponibilizem para uma reflexão séria e profunda sobre a missão que lhes está destinada na Igreja de Jesus Cristo.

Para ajudar a essa reflexão, proponho, desde já, três questões:

A propósito das Bem-aventuranças

Ao lermos, na Sagrada Escritura, as Bem-aventuranças, facilmente podemos verificar que nesse Seu discurso Jesus anuncia o Reino de Deus como um tempo de felicidade, bem como apresenta as disposições interiores necessárias para quem quiser acolher e viver o Reino de Deus. Elas são, realmente, o programa de vida de Jesus, o resumo da Sua Boa Nova.

E se em determinados momentos, Jesus faz exigências, para alguns terríveis, tais como: abandonar tudo e segui-Lo, o que Jesus propõe nas Bem-aventuranças não é uma renúncia, mas a felicidade total: «Felizes...!».

As Bem-aventuranças e todos os ensinamentos de Jesus que as desenvolvem podem, assim, ser consideradas para todos os cristãos, como um «programa de acção na sua vida concreta política, social, económica, familiar...»

A nona e última Bem-aventurança surge como algo verdadeiramente novo, pois passa-se da «perseguição por causa da justiça» para a «perseguição por causa de Mim», por causa de Jesus.

No Antigo Testamento, o profeta Neemias (Ne 9, 26) dizia que os israelitas, revoltados contra Deus, mataram os profetas que os advertiam para os conduzir de novo a Deus. E na Epístola aos Hebreus, retomando o Antigo Testamento, está escrito que os profetas «sofreram as provas da troça e dos chicotes e mesmo das correntes e da prisão. Foram apedrejados e serrados, tendo perecido em combates de gladiadores» (Heb 11, 36-37).

Também Jesus sabe que a condenação à morte pelo povo das testemunhas de Deus é uma constante na História da Salvação, do princípio ao fim da Bíblia (Mt 23, 35-37), como tão bem o ilustra a Parábola dos vinhateiros homicidas (Mt 21, 35-46). Jesus compreende e aceita a morte violenta que o espera: «Não se admite que um profeta pereça fora de Jerusalém.» (Lc 13, 33). E quem aceita seguir Jesus, e ser sua testemunha, deve contar com esta eventualidade: «Se a Mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós.» (Jo 15, 20).

A última bem-aventurança dá-nos a certeza de que todo o sofrimento suportado por causa de Jesus cria, com Ele, uma solidariedade que garante a salvação, porque, segundo as palavras do próprio Jesus, os perseguidos por Sua causa são declarados bem-aventurados. Esta bem-aventurança é, assim, essencialmente «cristológica», porque Jesus É o seu centro: é apenas por causa d’Ele que se sofre!

E o sofrimento suportado por causa de Cristo deve ser um motivo de alegria para todos os cristãos e proporcionar-lhes uma recompensa especial: o sofrimento por causa de Cristo estreita e fortalece mais a solidariedade com Aquele de quem depende a salvação no último dia. Ou seja, no Dia do Juízo Final, Jesus não se esquecerá dos que sofreram a perseguição por Sua causa.

S. Paulo, nas suas Cartas, aprofundou o princípio segundo o qual o sofrimento do cristão por causa de Cristo cria com este mesmo Cristo uma solidariedade que constitui garantia de felicidade eterna.

Se acreditar em Cristo é, para S. Paulo, garantia de salvação, muito mais o será o facto de se sofrer por Ele. Ao mesmo tempo, S. Paulo avança na íntima relação com Cristo, e passa do sofrer por Ele para o sofrer com Ele.

Na sua Carta a Filémon, S. Paulo fala de «comungar dos Seus sofrimentos, configurar-se à Sua morte, a fim de chegar à Ressurreição de entre os mortos» (Fil 3, 10-11), e aos Romanos escreve: «Nós, os cristãos, somos co-herdeiros de Cristo, se sofremos com Ele para sermos também glorificados com Ele.» (Rom 8, 17).

Também S. Pedro, na sua primeira Carta, escreve: «Caríssimos, não vos perturbeis com o fogo da provação, que se acendeu. Pelo contrário, alegrai-vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo, para que vos possais alegrar e exultar no dia em que for manifestada a Sua glória. Se sois ultrajados pelo nome de Cristo, bem-aventurados vós sois.» (I Ped 4, 12-14).

À luz do acontecimento pascal, compreende-se melhor a vantagem que há em sofrer, não apenas por causa de Cristo, mas particularmente com Cristo, partilhando os sofrimentos da Sua Cruz, pois esse é para Ele o caminho da Ressurreição. A participação nos sofrimentos de Jesus Crucificado torna-se, para todos os cristãos, causa de salvação e de alegria, pois essa é a garantia de participação na Ressurreição do Senhor Jesus.

José Pinto

Comunicações Sociais


Desde que os escritores do Novo Testamento pegaram na caneta e escreveram para continuar, por escrito, o anúncio da Palavra de Deus às comunidades cristãs, a Igreja entrou numa empresa de comunicação que faz parte da sua essência. Nascida do anúncio da ressurreição de Cristo e sobre ele alicerçada, a Igreja é Cristo a continuar a comunicar-se. A importância destes meios é evidente para ela a todos os níveis.

Hoje [20 de Maio] é o 46º Dia Mundial das Comunicações Sociais com o tema, escolhido pelo Santo Padre, “Silêncio e Palavra: Caminho de Evangelização”. A palavra tem necessidade de silêncio para ser refletida, “para discernir o que é importante daquilo que é inútil ou acessório”. Para isso, continua o Papa, “é necessário criar um ambiente propício, (…) capaz de equilibrar silêncio, palavra, imagens e sons”.

Perante tantas propostas que aqueles meios nos oferecem… o silêncio é indispensável para interiorizarmos, confrontarmos e descobrirmos o caminho a seguir.

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Diz a Sagrada Escritura: «Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo». (Act. 1, 8)

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Quem partir à descoberta
De montanha nunca vista,
De subir nunca desista
E vá pela estrada certa.

Tu, se és de Deus peregrino,
Pára um pouco e nisto pensa:
Caminha na indiferença
É pôr em risco o destino.

Jornal “Avé Maria” (Semanário) – 20.05.2012

A Virgem Maria


A Virgem Maria é modelo que todos somos chamados a imitar. Deus criou-nos à Sua imagem, diz a Bíblia, mas nós, embora criaturas excelentes e imagem de Deus, não somos Deus. Maria é a criatura que corresponde plenamente à ideia de Deus ao criar-nos, é o que Ele queria que nós fôssemos.

A Igreja, ao longo dos séculos, procurou aprofundar o ser de Maria, o que é fundamental na nossa Mãe do Céu. Imitá-La é procurar ser como Ela. O Evangelho dela não nos transmite grandes gestos nem muitas palavras, mas o indispensável: perante Deus diz: “Faça-se em Mim segundo a tua palavra”, diante das necessidades diz: “não têm vinho”, perante Cristo diz: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Eis o modelo a imitar: obedecer a Deus, ajudar o necessitado.

Na cruz, na tribulação, na angústia… está de pé. Ela é a glória da Igreja e a grande oferta ao mundo.

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Diz a Sagrada Escritura: «Quando chegou o tempo que tinha determinado, Deus enviou o Seu Filho, que nasceu de uma Mulher e esteve sujeito à lei, para nos tornar também Seus filhos adoptivos(Gal. 4, 4-5)

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Grandeza não há maior
Nem existe mais altura
Para a simples criatura
Que ser Mãe do Criador

Se és católico na fé,
É essa fé que te ensina
A chamares Mãe divina
À Virgem de Nazaré.

Jornal “Avé Maria” (Semanário) , 13.05.2012

Deus precisa de nós


Cada um de nós é chamado por Deus a acolher a Boa Nova, a descobrir que Ele nos ama com um amor sem medida, amor que, naturalmente, exige resposta da nossa parte. Qual? Aqui intervém o mistério de Deus e a nossa consciência. Podemos corresponder de mil maneiras: família, profissão, serviço dos outros, quantas vezes em coisas muito modestas: é possível dar a vida por amor e não se levantar uma estátua…

Alguns, porém, recebem um chamamento particular: são chamados por Deus a servir o Evangelho, isto é, a testemunhar o seu amor consagrando-lhe toda a vida, na oração contemplativa, no serviço de uma comunidade cristã – padre, no anúncio do Evangelho aos que ainda o desconhecem – missionário… Não são seres excepcionais mesmo que a sua vida porventura o venha a ser.

Deus precisa de homens e de mulheres que O sirvam nestes mistérios. Vale a pena quando escolhemos por amor.

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Diz a Sagrada Escritura: «Vós sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus, para anunciardes as suas obras admiráveis. Foi Ele que vos chamou das trevas para a sua luz admirável». (1 Pd. 2, 9)

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Sendo dádiva tão bela
A vida vale demais
Para que ilusões banais
A tornem em bagatela.

Feita de dor e prazer,
Logo justa, logo mã,
A nossa vida será
O que nela se fizer.

In Jornal "Avé Maria" (Semanário), nº 2656

Tempo Pascal

A Páscoa não se celebra apenas num dia, prolonga-se durante sete semanas, até ao Pentecostes. Estes cinquenta dias são como um só, uma única festa que se prolonga para recordar, viver, agradecer a ressurreição e a vida nova de Jesus. Um dos símbolos da Páscoa é o círio pascal que se acende em todas as Missas dominicais até ao Pentecostes, dia em que celebramos a vinda do Espírito Santo que ressuscitou Jesus e leva a Páscoa à plenitude.

A alegria da Páscoa - a primeira e a maior festa dos cristãos – deve prolongar-se por todo o Tempo Pascal. As igrejas manifestam-no na ornamentação: mais flores e luzes, o círio pascal em destaque, o cântico do “Aleluia”, a escolha de cânticos com tonalidade pascal, dar preferência, na liturgia penitencial, à aspersão da água… É importante que este ambiente de alegria esteja presente nas celebrações.

Para quê? Lembrar-nos que o Senhor ressuscitado vive no meio de nós para nos fortalecer e salvar.

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Diz a Sagrada Escritura: «Se a fé não se exprime em obras, será uma fé morta. (…) Assim como o corpo sem alma está morto, assim também a fé sem obras é morta». (Tiago, 2, 17-26)

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Se te falta aquele esteio
A que chamamos fé,
Segue o exemplo de Tomé
E grita: “Senhor eu creio”.

Se queres ter alegria,
Põe em prática a ciência
De viver em harmonia
Com a tua consciência.

In Jornal “Avé Maria” (Semanário) nº2654

Jesus ressuscitou!



Na manhã da Páscoa, dois acontecimentos preocuparam os discípulos de Cristo: viram-n’O morto na cruz e, depois, sepultado. Agora, recebem a notícia de que o seu túmulo está vazio. Convictos de que a notícia era fruto da sensibilidade feminina, vão certificar-se: o Corpo de Jesus não está e o sudário e as ligaduras que O envolveram, dobrados, em ordem. Recordando o que Jesus lhes havia dito, um deles acredita: Jesus ressuscitou.

Não vão à procura de Jesus, é Jesus que vai ao seu encontro, “se deixa ver” com as marcas dos pregos e da lança, acompanha-os, come com eles… e “os olhos abrem-se e reconhecem-n’O”. É Ele, está vivo, ressuscitou…

Quando morreu na cruz… desanimaram, o sonho lindo acabou… e a ressurreição, porém, tudo esclarece, é o selo divino na obra de Jesus.

Transformados, convictos, vão pelo mundo fora, enfrentando perseguições e a própria morte, a anunciar que Jesus venceu a morte e que, para além da morte, a vida continua.

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Diz a Sagrada Escritura: «Nós somos testemunhas do que Jesus fez (…) a Ele que mataram, suspendendo-O de um madeiro. Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-Lhe manifestar-Se (…) a nós que comemos e bebemos com Ele, depois da sua ressurreição». (Act. 10, 39-41)

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Toda a Páscoa é passagem
Como diz o nome dela;
Para condizer com ela
Vê se arranjar nova aragem.

Mas não mudes só por fora,
Muda nas acções também;
Pois, se a gente faz o bem,
Logo por dentro melhora.

In Jornal “Avé Maria” (Vila Real) nº2653

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