Sobre… O Concílio Vaticano II

“O concílio Vaticano II formulou nos seus documentos um importante programa de renovação cristã, que nada tem a ver com os abusos cometidos em nome de um pretenso «espírito conciliar». Hoje o mundo sofre de uma profunda crise de valores espirituais, para a qual contribuíram o afã de bem-estar da sociedade de consumo, a perda do sentido sobrenatural da vida e um reducionismo religioso que contempla o Cristianismo e a Igreja sob uma óptica primordialmente terrena. A Igreja tem de ser agora a defensora de valores tão essenciais como o direito à vida, a dignidade do homem e a unidade da família. Na nova humanidade de fins do século XX [início do século XXI], o Cristianismo aparece – do mesmo modo como nos eus começos – como a religião dos discípulos de Cristo que, com a ajuda da Graça. Procuram corresponder à sua vocação de cristãos.

«Promover o incremento da fé católica e uma saudável renovação dos costumes do povo cristão, e adaptar a disciplina eclesiástica às condições do nosso tempo»; tais eram, segundo a bula da convocatória, os fins que devia perseguir o concílio Vaticano II. Aberto por João XXIII no dia 11 de Outubro de 1962, apenas o primeiro período de sessões teve lugar em vida deste pontífice. O seu sucessor, Paulo VI (21-VI-1963 | 6-VIII-1978), governou a Igreja durante as três etapas ulteriores celebradas nos três anos seguintes, até ao encerramento no dia 8 de Dezembro de 1965. O concílio realizou um trabalho ingente, plasmado de documentos de natureza muito diversa: Constituições dogmáticas, Decretos, Declarações e uma Constituição pastoral – a Gaudium et Spes – sobre a Igreja no mundo actual. O concílio Vaticano II não fez nenhuma definição dogmática, pelo que os seus ensinamentos não possuem a prerrogativa da infalibilidade; mas constituem actos do Magistério solene da Igreja, pelo que exigem dos fiéis uma adesão interna e externa”.

Fonte: Orlandis, José – História Breve do Cristianismo, Rei dos Livros, 1985

Documentos do Concílio Ecuménio Vaticano II

Constituições
DV - Constituição Dogmática Dei Verbum - sobre a Revelação Divina
LG - Constituição Dogmática Lumen Gentium - sobre a Igreja
SC - Constituição Sacrosanctum Concilium - sobre a sagrada Liturgia

GS - Constituição pastoral Gaudium et Spes - sobre a Igreja no mundo actual

Decretos
AA - Decreto Apostolicam Actuositatem - sobre o apostolado dos leigos
AG - Decreto Ad Gentes - sobre a actividade missionária da Igreja
CD - Decreto Cristus Dominus - sobre o múnus pastoral dos Bispos na Igreja
IM - Decreto Inter Mirifica - sobre os meios de comunicação social
OE - Decreto Orientalium Ecclesiarum - sobre as Igrejas orientais católicas
OT - Decreto Optatam Totius - sobre a formação sacerdotal
PC - Decreto Perfectae Caritatis - sobre a conveniente renovação da vida religiosa
PO - Decreto Presbyterorum Ordinis - sobre o ministério e vida dos presbíteros
UR - Decreto Unitatis Redintegratio - sobre o ecumenismo

Declarações
DH - Declaração Dignitatis Humanae - sobre a liberdade religiosa
GE - Declaração Gravissimum Educationis - sobre a Educação cristã
NA - Declaração Nostra Aetate - sobre as relações da Igreja com as religiões não-cristãs

O ato de fé

A fé é um dom de Deus não para um grupo de privilegiados mas para toda a gente, independentemente dos méritos de cada um. Não se inventa, como não inventamos um deus a nosso gosto e medida, seria desonesto.

Simultaneamente a fé é ato da nossa vontade, exige decisão, interpela a nossa liberdade e responsabilidade de que não prescinde. Deus dá-a, nós aceitamo-la ou não. Ninguém pode dizer “eu creio” por mim, neste campo não há procurações. O “eu creio” é constitutivo da fé em cada um. Nem se refere tanto a uma doutrina, mas refere-se à Pessoa de Jesus Cristo em Quem decidimos colocar a nossa esperança.

Por outro lado, a fé exprime-se na ação, nas atitudes, implica-nos inteiramente na resposta a dar.

Neste Ano da Fé somos convidados a revitalizar a nossa fé, isto é, a pô-la no centro – como o mais importante – na nossa vida de cristãos.

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Diz a Sagrada Escritura: «Esforçai-vos por juntar à vossa fé uma vida virtuosa”. (II Ped. 1, 5)

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Mais do que os indiferentes,
Os agnósticos e os ateus,
Os cristãos não praticantes
São a vergonha de Deus.

Há cristãos que ficam só
Com uns laivos de doutrina:
Tanta ignorância faz dó,
Ante a beleza divina.

In Jornal “Avé Maria” (Semanário) – Vila Real, 28.10.2012

A Igreja no mundo

O Concílio Vaticano II procurou colocar a Igreja no seu tempo, no mundo. O último grande Concílio – e que continuava a influenciar o mundo cristão – foi o de Trento, marcado pela polémica com o protestantismo e a divisão.

Quando hoje abrimos os manuais de teologia anteriores ao Vaticano II, constatamos como nós, católicos, nos sentimos atacados pelos primeiros reformadores e pelo modernismo. Os teólogos deviam estar preparados para defenderem vigorosamente a doutrina católica. Saímos dos Seminários preparados para, na polémica, “jogarmos à defesa”. A revelação divina praticamente reduzia-se aos ensinamentos do Magistério que nos propunha a doutrina a saber e a procurar viver.

Estas perspetivas foram abandonadas no último Concílio. A Igreja tem de falar a linguagem do seu tempo e de cada povo. Tarefa permanente que nos obriga a olhar o mundo e a ser solidária da humanidade, nas suas alegrias e dificuldades.

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Diz a Sagrada Escritura: «Pela sua morte na Cruz, Cristo destruiu o ódio que dividia judeus e não-judeus, fazendo deles um só Corpo. Portanto todos vós fazeis parte do Povo de Deus e sois membros da sua Família» (Act. 2, 16 e 19)

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Quando se fala em Igreja,
Não se trata do edifício
Onde, em santo sacrifício,
O Povo reza e festeja.

É a Família infinita
De irmãos na Terra e nos Céus,
Em que o Pai é o próprio Deus
E a Mãe, a Virgem bendita.

In Jornal “Avé Maria” (Semanário) – Vila Real, 21.10.2012

Quem é o catequista?


Quem é o catequista?
Tantos livros a tentar explicar quem é e quem deve ser o catequista! Algumas ideias resumidas:

Um animador
O grupo cresce na interacção com a pessoa do catequista. O catequista define com o grupo dos catequizandos as tarefas e as regras do grupo. Quando as crianças são acolhidas de coração aberto, sem preconceitos, na realidade do que são, deixam-se envolver e seguem quem está disposto a dar a vida, tempo e paciência por elas.

Um iniciador
O catequista ajuda as crianças a orientarem-se. “Inicia” gradualmente os catequizandos a cada uma das dimensões da vida cristã.

Um guia
O catequista é um companheiro de caminho que faz descobrir a beleza da vida e do Evangelho. E faz isto sem exigir, sem ser pesado. Prefere fazer uma oferta livre. Só assim os catequizandos crescem verdadeiramente

Memória
Fazer catequese é passar a outros o que se recebeu. O catequista oferece o que os cristãos acreditam, vivem e testemunham desde há 2000 anos. Mas “fazer memória” não é “dar lições”; não diz respeito apenas à inteligência, ao saber. É, antes de mais, vida e coração.

Acompanhante
Acompanhar é ir a algum lado com alguém. O catequista partilha uma meta com os seus catequizandos. Acompanhar é pôr-se a caminho, mesmo sem lá chegar ainda.

Retirado de: Agenda Catequistas 2012/13 – Edições Salesianas

Átrio dos Gentios - O Valor da Vida

Nos próximos dias 16 (em Braga) e 17 de Novembro (em Guimarães), vai ter lugar, pela primeira vez em Portugal, uma sessão do Átrio dos Gentios, sobre o tema “O Valor da Vida”.

Participarão diversas individualidades do país e do estrangeiro e de diferentes quadrantes religiosos, sociais, culturais e políticos.

O Átrio dos Gentios é uma estrutura criada pelo Pontifício Conselho da Cultura - Vaticano

Dia Mundial das Missões – 21 de Outubro de 2012


Vai celebrar-se no próximo Domingo, dia 21 de Outubro, o Dia Mundial das Missões, este ano subordinado ao tema “Vive a Missão, transmite a Fé”.

Tal como nos anos anteriores, o Papa Bento XVI publicou, no dia 6 de Janeiro de 2012 – Solenidade da Epifania do Senhor, e para este Dia Mundial das Missões, o 86º Dia Mundial Missionário, uma mensagem com o título ”Chamados a fazer brilhar a Palavra da verdade(Porta Fidei nº 6).

Nesta mensagem, o Santo Padre começa por dizer:

«Queridos irmãos e irmãs!
Neste ano, a celebração do Dia Mundial das Missões reveste-se dum significado muito particular. A ocorrência do cinquentenário do início do Concílio Vaticano II, a abertura do Ano da Fé e o Sínodo dos Bispos cujo tema é a nova evangelização concorrem para reafirmar a vontade da Igreja se empenhar, com maior coragem e ardor, na missio ad gentes, para que o Evangelho chegue até aos últimos confins da terra. (…)»

E termina dizendo:

«Queridos irmãos e irmãs, invoco sobre a obra de evangelização ad gentes, e de modo particular sobre os seus obreiros, a efusão do Espírito Santo, para que a Graça de Deus a faça avançar mais decididamente na história do mundo. Apraz-me rezar assim com o Beato John Henry Newman: «Acompanhai, Senhor, os vossos missionários nas terras a evangelizar, colocai as palavras certas nos seus lábios, tornai frutuosa a sua fadiga».
Que a Virgem Maria, Mãe da Igreja e Estrela da Evangelização, acompanhe todos os missionários do Evangelho.»

Oração Misionária:

Espírito Santo, que desceste sobre os Apóstolos e os fizeste anunciadores do Evangelho:

derrama os teus dons sobre cada um de nós e torna-nos sensíveis aos apelos e às necessidades dos nossos irmãos;

desperta em muitos corações (crianças, jovens e adultos...) o ideal missionário;

dá força e coragem a todos quantos se entregam totalmente ao serviço da MISSÃO.

Ámen

O que é um Concílio?


Concílio Vaticano II
Ao longo deste ano falaremos muitas vezes do Concílio Vaticano II. O que é um Concílio?

É uma assembleia de bispos, regional ou universal (ecuménica), convocada pelo Santo Padre. Vaticano II foi um concílio ecuménico pois nele participaram 2.688 bispos e superiores de ordens religiosas, com direito a intervir e de voto, de 93 nacionalidades e representando 135 países. De Leste estiveram apenas 32. Juntemos mais os observadores convidados (leigos e não católicos) – 312 na 1ª sessão, número que aumentou nas outras sessões.

Um concílio é modo normal de governo na Igreja, habitual nos primeiros séculos do cristianismo. Não está acima do Papa, nem é inferior, embora as suas decisões necessitem da aprovação do Sumo Pontífice. Exprimem a fé da Igreja e merecem a adesão de todos os católicos.

João XXIII e Paulo VI, para melhor respeitar a liberdade dos padres conciliares, não assistiam aos seus trabalhos.

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Diz a Sagrada Escritura: «Chegados a Jerusalém, (Paulo e Barnabé) foram recebidos pela Igreja, (…) e contaram tudo o que Deus fizera por eles. Os Apóstolos e os Anciãos reuniram-se…» (Act. 15, 4-6)

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Se és de Deus um peregrino,
Pára um pouco e nisto pensa:
Caminhar na indiferença
É pôr em risco o destino.

Por isso toda a missão
Dos batizados é isto:
Transmitir o Amor de Cristo
Que se traz no coração.

In Jornal “Avé Maria” (Semanário) – Vila Real, 14.10.2012

Mais informações:

Vaticano II: História e atualidade

Concílio Vaticano II: origem e documentos

Há cinquenta anos


No próximo dia 1 [Novembro] completam-se cinquenta anos sobre a abertura do Concílio Vaticano II. Uma simples frase do, agora, beato João XXIII, pronunciada a 25 de Janeiro de 1959, na presença de 18 cardeais, provocou o espanto e a satisfação geral do mundo inteiro: “Decidi convocar um concílio ecuménico”.

Os católicos quase já não sabiam o que era: desde 1563 (Concílio de Trento), realizou-se p Vaticano I – o Concílio do primado papal, em 1870, e que, por falta de condições sociais estáveis, não chegou a celebrar a sua clausura.

Por diversas vezes, João XXIII afirmou que a ideia lhe tinha vindo de repente, inspiração do Espírito Santo.

- “Porque um Concílio?” Sem dizer palavra, o Papa levanta-se, abre uma janela e aponta para o interlocutor espantado. O ar fresco vindo de fora por provocar correntes de ar, mas renova o ambiente. Eis o que o Concílio pretende – renovar a Igreja.

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Diz a Sagrada Escritura: «Chegados a Jerusalém, (Paulo e Barnabé) foram recebidos pela Igreja, (…) e contaram tudo o que Deus fizera com eles. Os Apóstolos e os Anciãos reuniram-se…» (Act. 15, 4-6)

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Todo o cristão deve crer
Que o Evangelho é força e luz,
Só pelo facto de ser
A palavra de Jesus.

Sendo assim, é evidente
Que, se a palavra nos fala,
A Vida estará presente
Em quem souber escutá-La.

In Jornal “Avé Maria” (Semanário) – Vila Real, 7.10.2012

Dia Diocesano do Catequista e do Animador Juvenil 2012

Ontem, dia 5 de Outubro, celebrou-se, no Colégio Salesiano de Poiares, o Dia Diocesano do Catequista e do Animador Juvenil.

Após o acolhimento e distribuição de documentação, a jornada de trabalho começou com uma breves palavras de boas vindas e apresentação dos presentes, por Arciprestados e Paróquias, sob a orientação do Pe. Manuel Queirós, responsável pelo Secretariado Diocesano da Educação Cristã) e a Oração da Manhã.


Depois, os presentes tiveram oportunidade de ouvir o Director do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, Pe. Eduardo Novo, falar sobre esta estrutura da Igreja Católica em Portugal, do respectivo funcionamento, objectivos e plano de actividades para 2012/2013.


Dois elementos da Paulus Editora fizeram uma apresentação detalhada e muito interessante do Catecismo Jovem da Igreja Católica: YOUCAT. Fizeram, ainda, o sorteio de um exemplar do YOUCAT, do Livro de Orações para os Jovens YOUCAT e da Agenda 2013 YOUCAT entre todos os presentes.


No final, o Director do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil ofereceu aos responsáveis pelos Secretariados Diocesanos da Educação Cristã e da Pastoral Juvenil duas “oliveiras bonsai”.


Durante toda a manhã, esteve presente e em lugar de destaque, a cruz que o Papa Bento XVI, nas Jornadas Mundiais da Juventude de 2011 (realizadas em Madrid) entregou aos jovens portugueses, em representação dos jovens da Europa.


Da parte da tarde, após o almoço, tivemos oportunidade de ficar a conhecer os Planos Anuais de Actividade do Secretariado Diocesano da Educação Cristã (vários elementos) e do Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil (Pe. Pedro).





Logo depois, o nosso Bispo, D. Amândio Tomás, dirigiu-nos umas breves palavras essencialmente focadas no tema para o Ano Pastoral de 2012/2013: “Ele vos ensinará” (Jo 14, 16), lembrando-nos que este "Ele" É o Espírito Santo!


O dia de trabalhos terminou com a Celebração do Compromisso e Envio, presidida pelo Senhor Bispo.

Já passava das 17h quando os participantes nesta iniciativa começaram a regressar às suas casas.

Uma palavra para o extraordinário “animador de serviço”: obrigado!

Da Paróquia de Constantim participaram 3 catequistas.

Novo Pentecostes

Cinquenta anos depois do Concílio Vaticano II, qual a situação da Igreja?

Acusações como “O Concílio mergulhou a Igreja numa crise sem igual, esvaziou os seminários e as igrejas, provocou o abandono de tantos padres, a falta de respeito pelo Santíssimo Sacramento…” são frequentes… Como se o Vaticano II não fosse “o acontecimento fundamental da vida da Igreja contemporânea”, no dizer do Beato João Paulo II e que o Beato João XXIII apresentou como um “novo Pentecostes”.

Pentecostes é o momento em que os Apóstolos, barricados no Cenáculo, empurrados pelo Espírito Santo, destrancam as portas e se lançam pelo mundo a anunciar Jesus. Esse dia marca o início de tantas perseguições e martírios… que só terminarão no fim dos tempos.

Aqueles que têm medo de enfrentar o mundo, de apresentar Jesus na linguagem de hoje gostariam de regressar ao Cenáculo e trancar as portas.

Medo ou fé? Temos de escolher.

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Diz a Sagrada Escritura: «Ensinai a todas as gentes tudo quanto vos mandei. E Eu ficarei convosco, todos os dias, até ao fim do mundo(Mt. 28, 20)

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A Escritura nos ensina
Que é o Espírito de Deus
Que faz da Terra e dos Céus
Uma Família divina.

Cria assim um Mundo Novo
Em que o Amor é presente,
Como força veemente
A conduzir o Seu Povo.

In Jornal “Avé Maria” (Semanário) – Vila Real, 30.09.2012

Intenções do Papa – Outubro 2012

Geral: Pelo desenvolvimento e o progresso da Nova Evangelização nos países da antiga cristandade.

Missionária: Para que a celebração do Dia Missionário Mundial seja ocasião de renovado compromisso de evangelização.

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