Aumentar a nossa fé na Igreja



Hoje, gostaria de encetar algumas catequeses sobre o mistério da Igreja, mistério que todos nós vivemos e do qual fazemos parte. Gostaria de o fazer com expressões bem presentes nos textos do Concílio Ecuménico Vaticano II. Hoje, a primeira: a Igreja como família de Deus. A própria palavra «Igreja», do grego «ekklesia», significa «convocação»: Deus convoca-nos, impele-nos a sair do individualismo, da tendência de nos fecharmos em nós mesmos, e chama-nos a fazer parte da sua família. […]

Ainda hoje alguns dizem: «Cristo sim, a Igreja não». Como aqueles que dizem: «Creio em Deus, mas não nos sacerdotes». Mas é precisamente a Igreja que nos traz Cristo e que nos leva a Deus; a Igreja é a grande família dos filhos de Deus. Sem dúvida, ela também tem aspetos humanos; naqueles que a compõem, pastores e fiéis, existem defeitos, imperfeições e pecados; até o Papa os tem, e tem tantos! Mas é bom saber que, quando nos damos conta de que somos pecadores, encontramos a misericórdia de Deus, que perdoa sempre. Não o esqueçais: Deus perdoa sempre e recebe-nos no seu amor de perdão e de misericórdia. Alguns dizem que o pecado é uma ofensa a Deus, mas é também uma oportunidade de humilhação, para nos darmos conta de que existe algo melhor: a misericórdia de Deus. Pensemos nisto.

Interroguemo-nos hoje: amo a Igreja? Rezo por ela? Sinto-me parte da família da Igreja? O que faço para que ela seja uma comunidade na qual cada um se sinta acolhido e compreendido, sinta a misericórdia e o amor de Deus que renova a vida? A fé é um dom e um ato que nos diz respeito pessoalmente, mas Deus chama-nos a vivermos juntos a nossa fé como família, como Igreja.

Papa Francisco
Audiência geral de 29/05/2013 (trad.© copyright Libreria Editrice Vaticana, rev.)

Fontes: Texto | Imagem

Mensagem do Sr. Bispo de Vila Real para a Semana dos Seminários


A formação de discípulos missionários e de pastores do Povo de Deus
Queridos Diocesanos, Irmãs e Irmãos em Cristo!
1.- Jesus exorta a pedir a Deus que mande trabalhadores para a seara, porque a messe é grande e os operários são poucos. A oração é decisiva, mas deve ser acompanhada do ardor e testemunho dos discípulos, seguidores e arautos de Jesus Ressuscitado. A missão pede a oração e não existe sem amor a Cristo e sem ardor na irradiação da Boa Nova do Filho de Deus. O chamamento divino à plenitude da vida e à santidade exige oração, empenho, envolvimento comunitário. As vocações são o fruto do fervor e da solicitude das pessoas na comunidade. Há que formar discípulos para proclamarem a Boa Nova que Jesus traz e é objecto de reflexão, na Semana dos Seminários de 11 a 18 de Novembro, com o tema de formar discípulos missionários. Ninguém fique de fora, nem deixe de apreciar o incomensurável valor do Evangelho de Cristo, sendo arautos e discípulos de Jesus, em êxodo, obedientes à aprendizagem e ao anúncio da Boa Nova.
A vocação ao sacerdócio ministerial nasce na família, cresce, na comunhão paroquial e eclesial e é plasmada, à medida da plenitude de Cristo, no Seminário, onde cresce e amadurece o germe da vocação ao ministério sacerdotal. “Seminário” é o viveiro das sementes do chamamento de Deus para o sacerdócio ministerial, em ordem à missão. Entre a Família, a Paróquia, o Seminário e a Igreja missionária, comunhão de discípulos e testemunhas de Jesus, deve haver colaboração, sintonia, estando todos mobilizados para conhecer e anunciar o tesouro de Cristo, Vida, Salvador e Esperança.
2.- O Seminário, os Seminaristas e os Educadores precisam do amplo apreço dos Fiéis e dos Sacerdotes da Diocese. Precisam da oração, da protecção de Deus, que é essencial. E precisam de dinheiro e de bens materiais, para a instituição viver e formar discípulos missionários do Ressuscitado. A situação económica do Seminário é grave, por isso, agradeço a tantas pessoas, que dão ao Seminário o pequeno óbolo da viúva, bem conscientes dos deveres cristãos e eclesiais, contribuindo para a formação de Padres e Pastores, que serão agentes do anúncio de Cristo e da Boa Nova. Agradeço a dádiva de pessoas, que contribuem para a sobrevivência do Seminário e dos Seminaristas. Muito obrigado a vivos e defuntos. Que Deus recompense os vivos e aos defuntos conceda a felicidade eterna, na glória do Ressuscitado, que apareceu a Pedro, perguntando-lhe, por três vezes, se ele O amava mais do que aos colegas presentes. Após a morte e a sepultura de Jesus, Pedro traumatizado, volta ao passado, vai pescar peixes em vez de homens, esquece o mandato missionário. Mas Pedro devia reavivar o dom recebido, a fidelidade e obediência ao Mestre, que o chamara, para presidir à Igreja e confirmar na caridade os irmãos. O Ressuscitado e o Espírito levam Pedro à fidelidade, a aprender do Senhor, a testemunhar, a sair de si, a deixar-se cingir, invertendo a marcha, para ser crucificado, dando glória a Cristo ao qual entregara o coração.
3.- Jesus enviou Pedro a pescar homens, a deixar-se cingir e seguir o Mestre, com um amor indiviso. O decisivo é o amor a Cristo, que é a nossa vida, referência única e o grande enunciado a transmitir. O empenho, em prol do Seminário, a fim de amparar e guiar as vocações ao sacerdócio ordenado, é fruto do amor a Jesus Cristo e do amor à missão que Cristo nos confiou de O tornar conhecido e amado. Assim contribuímos para a formação de discípulos do Senhor e para o incremento da acção missionária e evangelizadora, a qual, na oração, não dispensa os meios materiais necessários para o anúncio da Boa Nova.
Recordo o Projecto das Bolsas de Estudo, em prol dos Seminaristas Pobres desejosos de aprender a darem-se, por amor de Cristo, em prol da evangelização. Agradeço-vos, Irmãos, o empenho e a generosidade, em prol do Seminário, cuja finalidade é formar discípulos, seguidores e missionários de Jesus, cientes de que, em razão do Baptismo e da inserção no mistério pascal do Filho de Deus feito homem, todos temos obrigação de O tornar conhecido e amado de todos.
Imploro para Vós as bênçãos de Deus e, desejo-vos um feliz, santo e frutuoso Advento de preparação para a Festa da Encarnação do Filho de Deus que se aproxima.
Vila Real, 9 de Novembro de 2018.
+ Amândio José Tomás, bispo de Vila Real
Nota: os negritos são da responsabilidade da equipa do blogue

Quem são a Mãe e os irmãos de Jesus?




«Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática»

«Procurei o repouso em todas as coisas» diz a Sabedoria de Deus; «e permanecerei na herança do Senhor» (Sir 24,12). A herança do Senhor, em sentido universal, é a Igreja; de forma mais especial, é Maria; em sentido particular, é a alma de cada crente. [...] O texto continua: «Então o Criador do universo deu-me as suas ordens, aquele que me criou assentou a minha tenda. E disse-me: 2Habita em Jacob"» (v. 8). Com efeito, procurando por toda a parte o descanso e não o encontrando em parte nenhuma, a Sabedoria de Deus, o seu Verbo, deu-Se como herança ao povo judeu, a quem, através de Moisés «falou e incumbiu». [...] E aquele que, por esta segunda criação, criou a Sinagoga, a mãe da Igreja, «repousou na sua tenda», na tenda da Aliança. Agora, na Igreja, repousa no sacramento do seu corpo.

E, como também procurou, por assim dizer, entre todas as mulheres Aquela de quem nasceria, escolheu muito especialmente Maria, que depois foi chamada «bendita entre todas as mulheres» (Lc 1,28). [...] Cristo, que a criou nova criatura (cf 2Cor 5,17), veio descansar no seu seio.

Também a cada alma fiel e predestinada à salvação esta Sabedoria «incumbe e fala» quando quer e como quer. Fá-lo interiormente pela inteligência natural, pela qual «ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina» (Jo 1,9), e pela inspiração da graça [...]; ou seja, quer pela doutrina, quer pela criação (cf Rom 1,20). [...] E a Sabedoria de Deus, o seu Verbo, criando e formando assim esta alma «em Cristo Jesus, para vivermos na prática das boas obras» (Ef 2,10), vem repousar na sua consciência.

Isaac da Estrela (?-c. 1171), monge cisterciense | Sermão 51, 25-27; PL 194, 1862; SC 339

Jesus comia com o publicanos e pecadores...



«Por que motivo é que o vosso Mestre come com os publicanos e os pecadores?»

“Nosso Senhor escolheu Mateus, o cobrador de impostos, para encorajar os colegas deste a virem com ele. Viu-os, pecadores que eram, chamou-os e mandou-os sentar junto de Si. Espetáculo admirável: os anjos ficam de pé, trémulos, enquanto os publicanos, sentados, se divertem. Os anjos enchem-se de temor perante a grandeza do Senhor, enquanto os pecadores comem e bebem com Ele. Os escribas sufocam de ódio e despeito, e os publicanos exultam perante a sua misericórdia. O Céu viu este espetáculo e ficou cheio de admiração; o inferno também o viu e ficou louco. Satanás viu-o e enfureceu-se; a morte viu-o e enfraqueceu; os escribas viram-no e ficaram muito perturbados.

Havia alegria no Céu e júbilo entre os anjos porque os rebeldes tinham sido convencidos, os recalcitrantes tinham ganhado sensatez, os pecadores tinham sido corrigidos, e os publicanos tinham sido justificados. Tal como Nosso Senhor não renunciou à ignomínia da cruz apesar das exortações dos seus amigos (Mt 16,22), assim também não renunciou à companhia dos publicanos apesar da zombaria dos seus inimigos. Desprezou a zombaria e desdenhou o elogio, fazendo assim o que é o melhor para os homens.”

Santo Efrém (c. 306-373)
diácono da Síria, doutor da Igreja
Comentário ao Evangelho ou Diatessaron, 5, 17

«Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro»



"Se Paulo VI por mais de uma vez indicou que a «civilização do amor» é o fim para o qual devem tender todos os esforços, tanto no campo social e cultural, como no campo económico e político, é preciso acrescentar que este fim nunca será alcançado se, nas nossas conceções e nas nossas atuações relativas às amplas e complexas esferas da convivência humana, nos detivermos no critério do «olho por olho e dente por dente» (Ex 21,24; Mt 5,38) e, ao contrário, não tendermos para transformá-lo essencialmente, completando-o com outro espírito. É nesta direção que nos conduz também o Concílio Vaticano II quando, ao falar repetidamente da necessidade de «tornar o mundo mais humano» (GS 40), centraliza a missão da Igreja no mundo contemporâneo precisamente na realização desta tarefa. O mundo dos homens só se tornará mais humano se introduzirmos, no quadro multiforme das relações interpessoais e sociais, juntamente com a justiça, o «amor misericordioso» que constitui a mensagem messiânica do Evangelho.
O mundo dos homens só poderá tornar-se cada vez mais humano quando introduzirmos, em todas as relações recíprocas que formam a sua fisionomia moral, o momento do perdão, tão essencial no Evangelho. O perdão atesta que, no mundo, está presente o amor que é mais forte que o pecado. O perdão, além disso, é a condição fundamental para a reconciliação, não só nas relações de Deus com o homem, mas também nas relações dos homens entre si. Um mundo do qual se eliminasse o perdão seria apenas um mundo de justiça fria e pouco respeitosa, em nome da qual cada um reivindicaria os direitos próprios em relação aos demais. Deste modo, as várias espécies de egoísmo, latentes no homem, poderiam transformar a vida e a convivência humana num sistema de opressão dos mais fracos pelos mais fortes, ou até numa arena de luta permanente de uns contra os outros.
Com razão a Igreja considera seu dever e objetivo da sua missão assegurar a autenticidade do perdão, tanto na vida e no comportamento concreto, como na educação e na pastoral. E não o protege senão guardando a sua fonte, isto é, o mistério da misericórdia de Deus, revelado em Jesus Cristo."
São João Paulo II (1920-2005), papa , Encíclica «Dives in misericordia», §14