Jesus comia com o publicanos e pecadores...



«Por que motivo é que o vosso Mestre come com os publicanos e os pecadores?»

“Nosso Senhor escolheu Mateus, o cobrador de impostos, para encorajar os colegas deste a virem com ele. Viu-os, pecadores que eram, chamou-os e mandou-os sentar junto de Si. Espetáculo admirável: os anjos ficam de pé, trémulos, enquanto os publicanos, sentados, se divertem. Os anjos enchem-se de temor perante a grandeza do Senhor, enquanto os pecadores comem e bebem com Ele. Os escribas sufocam de ódio e despeito, e os publicanos exultam perante a sua misericórdia. O Céu viu este espetáculo e ficou cheio de admiração; o inferno também o viu e ficou louco. Satanás viu-o e enfureceu-se; a morte viu-o e enfraqueceu; os escribas viram-no e ficaram muito perturbados.

Havia alegria no Céu e júbilo entre os anjos porque os rebeldes tinham sido convencidos, os recalcitrantes tinham ganhado sensatez, os pecadores tinham sido corrigidos, e os publicanos tinham sido justificados. Tal como Nosso Senhor não renunciou à ignomínia da cruz apesar das exortações dos seus amigos (Mt 16,22), assim também não renunciou à companhia dos publicanos apesar da zombaria dos seus inimigos. Desprezou a zombaria e desdenhou o elogio, fazendo assim o que é o melhor para os homens.”

Santo Efrém (c. 306-373)
diácono da Síria, doutor da Igreja
Comentário ao Evangelho ou Diatessaron, 5, 17

«Não devias, também tu, compadecer-te do teu companheiro»



"Se Paulo VI por mais de uma vez indicou que a «civilização do amor» é o fim para o qual devem tender todos os esforços, tanto no campo social e cultural, como no campo económico e político, é preciso acrescentar que este fim nunca será alcançado se, nas nossas conceções e nas nossas atuações relativas às amplas e complexas esferas da convivência humana, nos detivermos no critério do «olho por olho e dente por dente» (Ex 21,24; Mt 5,38) e, ao contrário, não tendermos para transformá-lo essencialmente, completando-o com outro espírito. É nesta direção que nos conduz também o Concílio Vaticano II quando, ao falar repetidamente da necessidade de «tornar o mundo mais humano» (GS 40), centraliza a missão da Igreja no mundo contemporâneo precisamente na realização desta tarefa. O mundo dos homens só se tornará mais humano se introduzirmos, no quadro multiforme das relações interpessoais e sociais, juntamente com a justiça, o «amor misericordioso» que constitui a mensagem messiânica do Evangelho.
O mundo dos homens só poderá tornar-se cada vez mais humano quando introduzirmos, em todas as relações recíprocas que formam a sua fisionomia moral, o momento do perdão, tão essencial no Evangelho. O perdão atesta que, no mundo, está presente o amor que é mais forte que o pecado. O perdão, além disso, é a condição fundamental para a reconciliação, não só nas relações de Deus com o homem, mas também nas relações dos homens entre si. Um mundo do qual se eliminasse o perdão seria apenas um mundo de justiça fria e pouco respeitosa, em nome da qual cada um reivindicaria os direitos próprios em relação aos demais. Deste modo, as várias espécies de egoísmo, latentes no homem, poderiam transformar a vida e a convivência humana num sistema de opressão dos mais fracos pelos mais fortes, ou até numa arena de luta permanente de uns contra os outros.
Com razão a Igreja considera seu dever e objetivo da sua missão assegurar a autenticidade do perdão, tanto na vida e no comportamento concreto, como na educação e na pastoral. E não o protege senão guardando a sua fonte, isto é, o mistério da misericórdia de Deus, revelado em Jesus Cristo."
São João Paulo II (1920-2005), papa , Encíclica «Dives in misericordia», §14

«Aumenta a nossa fé» (Lc 17,5)


“A palavra «» tem um duplo significado. Há, na verdade, um aspeto da fé que diz respeito aos dogmas e que consiste em concordar com uma dada verdade. Este aspeto da fé é proveitoso para a alma, segundo a palavra do Senhor: «Quem ouve a minha palavra e crê naquele que Me enviou tem a vida eterna» (Jo 5,24). [...]

Mas há um segundo aspeto da fé: é a fé que nos foi dada por Cristo como carisma, gratuitamente, como dom espiritual. «A um é dada, pela ação do Espírito, uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, segundo o mesmo Espírito; a outro, a fé, no mesmo Espírito; a outro, o dom das curas, no único Espírito» (1Cor 12,8-9). Esta fé que nos é dada como graça pelo Espírito Santo não é apenas uma fé dogmática, mas tem também o poder de realizar coisas que ultrapassam as forças humanas. Quem possui essa fé dirá «a este monte: “Tira-te daí e lança-te ao mar” [...], assim acontecerá». Pois, quando alguém pronunciar esta palavra com fé «e não vacilar em seu coração, mas acreditar que o que diz se vai realizar» (Mc 11,23), recebe a graça da sua realização. É desta fé que foi dito: se tivésseis fé «como um grão de mostarda». Na verdade, o grão de mostarda é muito pequeno, mas tem em si uma energia fogosa; semente minúscula, desenvolve-se a ponto de estender os seus longos ramos e de até poder abrigar as aves do céu (cf Mt 13,32). Do mesmo modo, a fé realiza numa alma os maiores feitos num piscar de olhos.

Quando está iluminada pela fé, a alma representa Deus diante de si e contempla-O tanto quanto possível. Abarca os limites do universo e, antes do fim dos tempos, já vê o julgamento e o cumprimento das promessas. Tu, portanto, possui essa fé que depende de Deus e que te leva a Ele; então receberás dele essa fé que age para além das forças humanas."

São Cirilo de Jerusalém (313-350), bispo de Jerusalém, doutor da Igreja | Catequese baptismal 5, 10-11

Vaticano propõe «viagem entre arquitetura, cultura e música»



Vaticano propõe «viagem entre arquitetura, cultura e música»

A primeira participação da Santa Sé na Bienal de Arquitetura de Veneza, que decorre até 26 de novembro, está na base do projeto “Geometrias do Espírito: Uma viagem entre arquitetura, cultura e música”, que o Vaticano propõe para 21 de setembro. A iniciativa do Átrio dos Gentios, plataforma da Igreja católica para o diálogo entre crentes e não crentes coordenada pelo Conselho Pontifício da Cultura, apresenta-se como «uma sinfonia de vozes e emoções», naquele que promete ser um «encontro cultural exclusivo e inédito». Saiba mais

Natureza, cultura, pecado
A cultura é um permanente movimento – na realidade, um ato – dialético entre as possibilidades próprias que constituem a natureza humana e a concretização de tais possibilidades, precisamente em ato. No entanto, cada nova concretização – e é este facto que implica uma estrutura dialética irredutível – é, imediatamente, um dom, cultural, que serve de base ontológica para que possa haver outro – outros – atos culturais; e, assim, até um virtual infinito teórico, salvo aniquilação, auto ou hétero operada, de tal dialética. Saiba mais

De cabeça erguida: Jornal do Vaticano evoca escritor Alexander Soljenítsin
Passaram 10 anos sobre a morte de Alexander Soljenítsin (3.8.2008), e a 11 de dezembro assinalar-se-ão os 100 anos do seu nascimento. O valor que tinha em vida não diminuiu após o seu desaparecimento. Aliás, onde as paixões políticas deixaram espaço a um juízo mais racional, a evidência do seu valor tornou-se clara: o escritor marcou a história do século XX pelo olhar que teve sobre o ser humano, um olhar que soube mostrar a sua inexauribilidade, inclusive quando tudo parecia condenar o homem e reduzi-lo a um mísero grão de areia, varrido pela aleatoriedade dos acontecimentos ou triturado pela máquina do poder. Saiba mais

O rosto global da “teologia da prosperidade”
«O risco é que os pobres que fiquem fascinados por este pseudo-Evangelho permaneçam imbricados num vazio político e social, que permite com facilidade a outras forças plasmar o seu mundo, tornando-os inócuos e sem defesas. O “evangelho da prosperidade” nunca é factor de mudança real, que é fundamental na visão da doutrina social da Igreja.» No extremo oposto coloca-se o ensinamento do papa Francisco, que em várias ocasiões ao longo dos cinco anos de pontificado tem levado a peito as ilusões propagandeadas pela “teologia da prosperidade”. Saiba mais

Uma injustiça social de Jesus?
Estritamente falando, aquele patrão que paga a todos um denário, reservando-o inclusive a quem trabalhou uma só hora da tarde, age, por um lado, corretamente, na base do contrato “separado” estipulado com cada um; mas por outro lado não é certamente um modelo de justiça nas relações industriais. Qual é, então, o sentido da parábola, tendo em mente que não pode ser orientado para a injustiça social? A lição é de índole religiosa e existencial. Saiba mais

Fonte: Newsletter do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura

Comunhão dos doentes



A melhor ocasião para levar a Sagrada Comunhão aos doentes é ao domingo – o dia da Páscoa semanal – logo a seguir à Eucaristia da comunidade. Os Ministros Extraordinários da Comunhão devem aproximar-se do altar no princípio dos ritos da comunhão (Pai Nosso), recebem o Pão eucarístico no relicário (uma caixa digna, usada só para esse fim)… O celebrante os abençoa e envia. O Missal traz uma oração para esse fim.

No quarto do doente, a celebração inclui o acolhimento, a proclamação da Palavra de Deus (basta uma frase do Evangelho), a comunhão e a ação de graças.

Estarão atentos ao ambiente: toalha, vela acesa, flores (se possível), cruz… para dar à celebração um tom festivo e de recolhimento.

Na passagem do enfermo para o Pai, a comunhão é dada como viático. O doente precisa de escutar que é acompanhado pelo Senhor até ao momento da sua entrada na eternidade. Sirvam-se do Ritual.

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Diz a Sagrada Escritura: «Recebei com mansidão a Palavra em vós semeada, a qual pode salvar as vossas almas. Mas tendes de a pôr em prática e não apenas ouvi-la, enganando-vos a vós mesmos». (Tg. 1, 21-22)

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Uma chama permanente
Nas igrejas tremeluz.
Segredando, confiante:
- No sacrário está Jesus.

- Que dizes, lâmpada acesa?
Se é Jesus que vive ali,
A minha lama deixo presa,
Para sempre, ao pé de ti.

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Notícias da Igreja

Vaticano – Um dos Cardeais escolhidos pelo Papa, no passado dia 20, foi o Padre Aquilino Bocos, espanhol, já com 80 anos. Foi provincial, assistente, superior geral e figura conhecida na vida religiosa. “Servir… foi o que procurei ao longo da minha vida. Sinto que vou morrer com as botas calçadas ao serviço da Igreja.”

VaticanoPaulo VI (João Battista Montini), Óscar Romero, arcebispo mártir de S. Salvador, juntamente com dois padres italianos (Francesco Sponelli e Vincenzo Romano) e duas religiosas (Maria Catalina Kasper e Nazaria Ignacia) serão canonizados no próximo dia 14 de Outubro na basílica de S. Pedro, em Roma.

Birmânia – Os cristãos da Birmânia abrem as suas portas a milhares de “rohingia” que, há tempos, sofreram uma forte perseguição e muitos, então, se refugiaram no Bangladesh. Os que permaneceram voltam de novo a sofrer novos episódios de perseguição. É nas igrejas cristãs e seus missionários que encontram refúgio. O Papa Francisco, muito ativo na procura de soluções para esta crise, está a organizar uma cimeira, para Outubro, com a finalidade de refletir o problema e encontrar soluções.

Espanha – Ricardo Blasquez, cardeal arcebispo de Valladolid e presidente da Conferência Episcopal Espanhola, declarou há dias que a «eutanásia não é sinal de progresso” e a morte digna “é uma maneira enganadora”, uma vez que há alternativas. “É um fracasso”» - declarou

Fonte: Jornal “Avé Maria” – nº2926