Vivência cristã do tempo do calendário

O tempo divide-se em anos. [A história dos calendários, ao longo dos tempos]

Podia ser de outro modo? É a natureza que assim indica, por uma volta inteira da Terra à roda do Sol.

E tantas influências tem no clima, nas culturas, na vida humana: tudo recomeça e tudo se repete de maneira aproximada, em cada no!

A vida de relações com Deus, enquanto estamos no mundo, vive-se muito articulada com a divisão do tempo. Há, assim, uma forma de viver cristãmente o ano, é a celebração litúrgica do ano.

A Páscoa

O centro e coração da celebração anual é a PÁSCOA, na Primavera.

Por ela, cada cristão, revive a Páscoa de Cristo, para se apropriar da redenção que ela nos mereceu.

Coincide com a Primavera, que é a ressurreição da natureza.

Gregório Lopes, Ressurreição de Cristo, 1539-1541
Museu Nacional de Arte Antiga
 O Natal

Como preparação da Páscoa, o cristão celebra o NATAL que é a entrada de Deus no mundo dos homens, a iniciar a salvação dos homens.

É o princípio do ano cristão, um pouco antes do que se costuma considerar o princípio do ano civil.

Coincide com o Inverno, em que tudo se prepara no silêncio.

Joaquim António de Macedo, Barros Laborão (Joaquim José de Barros),
António Pinto (pintura),
Presépio dos Marqueses de Belas, c.1806, barro, madeira e cortiça
 O Pentecostes

O Pentecostes é o ponto culminante da Páscoa, em que o Espírito Santo começa a comunicar aos homens o fruto da Páscoa.

Corresponde ao princípio do Verão em que começam a aparecer os frutos da terra, o resultado do trabalho na escolas…


Pentecostes (Retábulo da Igreja da Madre de Deus)
Mestre de 1515 [Jorge Afonso ?] / Portuguesa
Pintura a óleo sobre madeira de carvalho

O Tempo Comum

O Tempo Comum, que resta até nova preparação do Natal, é o nosso tempo, para amadurecermos em nós os frutos da salvação, exercer e inserir mais profundamente a acção de Cristo em todas as zonas da nossa vida; é toda a nossa existência a tomar a direcção, o sentido de Cristo. É o Outono da maturação e das colheitas.

É neste tempo que melhor se enquadra a memória dos Santos, pioneiros e modelos para nós de bom aproveitamento na escola-oficina dos mistérios de Cristo.

[ Não nos podemos esquecer, também, do Advento e da Quaresma… ]

*****

É deste modo que o tempo de um ano tem para nós significação religiosa.

O cristão não foge do tempo; não espera que o tempo passa; não mata o tempo. Mas vive no tempo os valores eternos: enxerta no tempo a eternidade.

Texto: Almanaque Popular (2005)

O Nascimento de Jesus

Natividade (c. 1650-60). Josefa de Óbidos (1630 –1684).
Óleo sobre cobre. (21 x 16 cm). Colecção particular, Porto.
Depois da Páscoa, a “Igreja tem como mais venerável a celebração do nascimento do Senhor e as suas primeiras manifestações: é o que faz no tempo de Natal”. Preparado pelas quatro semanas do Advento e prolongado até ao Batismo do Senhor, celebramo-lo a 25 de Dezembro.

Foi no séc. IV que em Roma se começou a celebrar o Natal do Senhor substituindo a festa pagã do “sol invicto” que começava a vencer o inverno e a noite. Jesus Cristo, Sol que vem das alturas, substituiu essa festa pagã.

A escolha dessa data poderia também estar relacionada com o espaço dos nove meses entre ela e o dia 25 de Março, dia que coincidia, segundo a tradição, com o começo do mundo, a concepção de Jesus e a sua morte.

Mais que um aniversário, o Natal celebra o nascimento do Filho de Deus que, no “hoje da salvação”, se faz Deus connosco.

*****

Diz a Sagrada Escritura: «O Verbo fez-Se homem e veio habitar connosco. E nós contemplámos a sua glória, glória que possui como Filho Unigénito do Pai». (Jo. 1, 16-17)

*****

E, por isso, a Providência
Fez com que Augusto mandasse
Que tudo se recenseasse
Nas terras de proveniência.

Na importante conjuntura,
Augusto nunca pensou
Que o édito que mandou
Vinha cumprir a Escritura.

In Jornal “Avé Maria” (Semanário) – Vila Real, 25 de Dezembro de 2011

Um presépio hoje

Presépio do convento do Santíssimo Coração de Jesus
(hoje na Basílica da Estrela)

Maquineta Adoração dos Reis Magos
Joaquim Machado de Castro (1731-1822) Século XVIII, 1782-1784
Um presépio não pode limitar-se a critérios artísticos fixos, antes, pela sua universalidade e simbolismo, há-de aceitar inovações que possam atualizar o mistério antigo e sempre novo. O que aconteceu há dois mil anos, acontece hoje: crianças que nascem na maior pobreza, pastores beneméritos que as acolhem, governantes que preferem eliminar os não desejados, famílias obrigadas a emigrar à procura de melhores condições, estrangeiros que acolhem… a história do Natal de Jesus é sempre atual.

Porque não fazer um presépio contemporâneo? A gruta debaixo de uma ponte, pode recordar que Jesus foi um “sem teto”, um barco carregado de migrantes que procuram a Europa ou multidões a fugirem às guerras ou á estiagem, corresponde bem à fuga para o Egito… Atualizar os relatos do Nascimento de Cristo faz-nos tomar consciência de que Jesus continua a incarnar ao nosso lado e espera o nosso apoio.

*****

Diz a Sagrada Escritura: «O Filho de Deus fez-Se homem e veio habitar no meio de nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe pertence por ser o Filho único de Deus Pai». (Mt. 3, 16-17)

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A Vigem e São José
Viviam numa casinha,
Que dos avós lhes provinha,
Na aldeia de Nazaré.

Tudo lhes corria bem;
Mas, segundo a profecia,
O Salvador nasceria
Na cidade de Belém.

In Jornal “Avé Maria” (Semanário), Vila Real, 18 de Dezembro de 2011

Coroa do Advento

As tradições do Advento falam-nos de expetativa e desenrolam-se por etapas. Uma das mais conhecidas, hoje, é a de acender quatro velas sobre uma “coroa” nas igrejas ou nas casas. É um costume que nos leva aos luteranos alemães do séc. XVI mas que se espalhou rapidamente por toda a parte e lhe foi atribuído simbolismo cristão.

Quando a luz do dia diminui e a noite cresce, celebrava-se na Alemanha a festa da luz, festa certamente de origem pagã. Com o movimento litúrgico de 1950, a Coroa do Advento ganhou o mundo católico.

Pode ter uma forma qualquer, é feita de folhas persistentes, colocada sobre uma mesa ou suspensa do teto e comporta quatro velas, uma para cada semana do Advento. O simbolismo está mais na luz, nas folhas persistentes e na progressão… A nova luz que se acende em cada domingo… devia corresponder a tornarmo-nos luz mais viva de Cristo.

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Diz a Sagrada Escritura: «Uma voz clama no deserto: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”». (Mc. 1, 3)

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Tudo à volta já se apresta
Para a quietude do Advento:
Pára todo o crescimento
E a folha cai na floresta.

E o homem fuja do mal,
Da ambição e da impostura,
Que só gente de alma pura
Tem verdadeiro Natal.

In Jornal "Avé Maria" (Semanário) - Vila Real, 4 de Dezembro de 2011

Intenções do Papa – Dezembro

Geral: Para que todos os povos da terra, através do reconhecimento e do respeito recíproco, cresçam na concórdia e na paz.

Missionária: A fim de que as crianças e os jovens sejam mensageiros do Evangelho, e para que a sua dignidade seja sempre respeitada e preservada contra qualquer violência ou exploração.

Reflexões: «Aprendi que...»


Aprendi que…

… ninguém é perfeito enquanto não nos apaixonamos por ele(a).

… a vida é dura, mas eu posso ser mais duro e forte do que ela!

… as oportunidades nunca se devem perder. Aquelas que desperdiçamos, alguém as pode aproveitar e transformar em “mais-valias”.

… enquanto me preocupo com rancores e amarguras a felicidade vai para outra parte, normalmente para muito longe.

… devemos dar sempre boas palavras, porque amanhã nunca se sabe que tipo de palavras temos que ouvir.

… um sorriso é a maneira mais económica de melhorar o meu aspecto exterior.

… não posso escolher como me sinto, mas que posso sempre tentar fazer alguma coisa para me sentir melhor.

... quando o meu filho recém-nascido segura o meu dedo na sua mão, tenta prendê-lo para toda a vida.

… todos querem viver no topo da montanha, mas que a verdadeira felicidade se encontra durante a subida.

… temos que aproveitar todos os momentos da viagem e não pensar apenas na chegada.

… o melhor é dar conselhos apenas em duas circunstâncias: quando são pedidos e quando deles depende a vida de alguém.

… quanto menos tempo desperdiço com coisas supérfluas e desnecessárias, mais coisas úteis e importantes posso fazer.

Texto adaptado por JP

MARANA THA


Marana Tha é uma aclamação em língua aramaica, a língua falada por Jesus, que significa: o Senhor vem ou Vem, Senhor. Na boca dos cristãos, é uma confissão de fé na vinda de Jesus que, nos princípios, julgavam iminente. Entrou logo na oração dos crentes e S. Paulo conservou-a na 1ª carta aos Coríntios (16,22) e S. João no Apocalipse (22,20).

É a invocação mais antiga da comunidade cristã. Exprime o anseio pela vinda do Salvador que virá curar e resgatar as pessoas num tempo carregado de amargura, angústia e solidão. É o desejo da vinda do tempo de Deus ao tempo dos homens para os libertar de toda a escravidão.

Na liturgia, os cânticos que contém esta aclamação cobram, no Advento, este sentido particular, na perspectiva da vinda de Cristo no Natal e, sobretudo, pela orientação escatológica das leituras das primeiras semanas, para a vinda gloriosa do Senhor no fim dos tempos.

*****

Diz a Sagrada Escritura: «Chegou a hora de nos levantarmos do sono, porque a salvação está agora mais perto de nós do que quando abraçámos a fé». (Rom. 13, 11)

*****

O Advento ainda não é,
Mas prepara o que será:
Esp’rança plena de fé
De que Jesus nascerá.

Tempo de viver desperto,
Todo o Advento é sempre belo,
Porque o Menino está perto
E é preciso recebê-lO.

In, Jornal Avé Maria (Semanário), 27 de Novembro de 2011

O exercício da Caridade

O Bom Samaritano

É frequente a confusão entre “esmola” e “caridade”. A esmola é apenas um pequeno exercício da caridade cujo sentido não esgota. É verdade que, no exercício da caridade, muitas vezes nada mais podemos fazer que “dar esmola”. Um faminto do que primeiro precisa é de comer, não de discursos ou ensinamento…

É ao cristianismo que a humanidade, sobretudo a sofredora, mas deve na criação e desenvolvimento de instituições de bem-fazer. Os Actos dos Apóstolos falam-nos dos primeiros cristãos como um grupo organizado para fazer o bem (cfr. Cap. IV). Seguindo a palavra de Jesus “vendiam o que tinham e distribuíam-no pelos pobres”.

Ao que chamamos hoje “Segurança Social”, na Idade Média, estava nas mãos da Igreja: hospitais, orfanatos, escolas, colégios, asilos… dirigidos por cristãos voluntários. Mais tarde, com as descobertas, tudo isso foi transplantado para os países de missão.

O exercício da caridade… é um dos grandes benefícios que a Igreja continua a oferecer ao mundo.

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Diz a Sagrada Escritura: «Procurai atender não apenas aos vossos interesses, mas também aos dos outros. Tende entre vós, os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus». (Fil. 2, 4-5)

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E, se gente mora à fome
De pão, de fé e de paz,
Deus espera que tu vás
Levar ajuda em seu nome.

Se, reflectindo descobres
Que essa é tua missão,
Não digas a Deus que não,
Porque O encontras nos pobres.

In Jornal “Avé Maria” (Semanário) – Vila Real, 20 de Novembro de 2011
Foto: Fonte

O caminho do Evangelho

“Venho encorajar-vos a seguirdes o caminho do Evangelho”, repetia muitas vezes nas suas viagens o Beato João Paulo II.

Este caminho – e a Igreja insiste constantemente para entrarmos nele – foi experimentado por gerações de cristãos e ensinado pelos santos. Testemunhas da fé, os santos convidam-nos a viajar por ele, uma viagem que nos leva ao Pai pelos caminhos dos homens. Não impõem estritamente sentido obrigatório. Nele há recusas que libertam, “nãos” que o limpam, “sins” que nele nos fazem entrar em cheio: não ao espírito do mundo, sim ao espírito de Deus, não á facilidade do mundo, sim à “audácia alegre dos apóstolos”.

O caminho do Evangelho não nos faz sair do mundo. Indica o itinerário salvador, muda o coração dos viajantes, leva à santidade. A santidade não é reservada a alguns. Somos santos pelo baptismo como somos, pelo nascimento, homens ou mulheres. É a nossa herança, é presente do baptismo.

*****

Diz a Sagrada Escritura: «Procurai atender, não apenas aos vossos interesses, mas também aos dos outros. Tende entre vós, os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus». (Fil. 2, 4-5)

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Sendo dádiva tão bela,
A vida vale demais
Para que ilusões banais
A tornem em bagatela.


Feita de dor e de prazer,
Logo justa, logo má,
A nossa vida será
O que nela se fizer.


In Jornal “Avé Maria” (Semanário), Vila Real, 13 de Novembro de 2011

A Porta da Fé

Porta da Fé” é o título da Carta de Bento XVI pela qual proclama Ano da Fé de 11 de Outubro de 2012 – cinquentenário da Abertura do Concílio Vaticano II e vigésimo quinto do Catecismo da Igreja Católica – até 24 de Novembro de 2013, solenidade de Cristo Rei. O Papa convocou para esse mês uma Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, com o tema A Nova Evangelização para a Transmissão da Fé e que “será ocasião propícia para levar a Igreja a uma particular reflexão e redescoberta da fé”, e “compreender que os textos deixados em herança pelos Concílios não perdem o seu valor nem a sua beleza.”

Paulo VI proclamou um ano semelhante, em 1967, no milésimo nongentésimo aniversário do martírio dos apóstolos S. Pedro e S. Paulo, “como consequência e exigência conciliar”.

Ao Ano da Fé – diz o Papa – é convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor.

*****

Diz a Sagrada Escritura: «A fé é o fundamento firme das coisas que esperamos, e a garantia das coisas que não se vêem». (Heb. 11, 1)

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Se queres ter a alegria,
Põe em prática a ciência
De viver em harmonia
Com a tua consciência.

Se te falta aquele esteio
A que chamamos fé,
Segue o exemplo de Tomé
E grita: “Senhor, eu creio.”

Jornal "Avé Maria" (Semanário) - Vila Real, 6 de Novembro de 2011

Intenções do Papa para o mês de Novembro de 2011

Geral: Para que a venerável tradição das Igrejas orientais católicas seja conhecida e estimada como riqueza espiritual de toda a Igreja.

Missionária: A fim de que o continente africano encontre em Cristo a força para percorrer o caminho da reconciliação e da justiça, indicado pelo segundo Sínodo dos Bispos para a África.

Todos os Santos

Todos os Santos

Nenhum ser humano é perfeito, sem pecado, nem um santo, seja ele quem for, é um semi-Deus. Só Deus é santo mas ele quer que nós o sejamos também: “Sede santos porque EU, vosso Deus, sou santo” (Lv. 19,2).

A santidade não é assunto de mortos mas de todos os batizados, vivos ou mortos; é vida, caminhada para Deus animados pelo Espírito Santo.

Quando alguém é declarado santo, é porque durante a sua vida soube escutar a Palavra de Deus, levá-la à prática, imitando Aquele que é modelo – Jesus.

Celebrar um ou todos os santos, é celebrar Deus e as maravilhas que Ele faz nas nossas vidas, reconhecer a sua presença na nossa história. Os santos são dom de Deus à humanidade e à Igreja, sinais vivos de Cristo, honrá-los é escolher o seu caminho como nosso, para que, como eles, possamos atingir a vida nova que Deus nos coloca como meta.

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Diz a Sagrada Escritura: «Alegrai-vos e exultai porque é grande nos Céus a vossa recompensa». (Mt. 5, 12)

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Quem partir à descoberta
De montanha nunca vista,
De subir nunca desista
E vá pela estrada certa.

Tu, de és de Deus peregrino,
Pára um pouco e nisto pensa:
Caminhar na indiferença
É pôr em risco o destino.

In Jornal “Avé Maria” (Semanário) – Vila Real, 30 de Outubro de 2011

*****

Sugere-se a leitura dos seguintes textos:

- Dos Santos aos Fiéis Defuntos (Luís Filipe Santos)

- Santidade e popularidade (José Jacinto Ferreira de Farias, scj)

Pai-Nosso Missionário

Pai Nosso
Pai dos seis biliões de pessoas
Que povoam a terra inteira

Que estais nos céus
Na nossa família,
no nosso país, e em todo o mundo

Santificado seja o vosso nome
Sobretudo na pessoa dos mais pobres
e dos mais abandonados

Venha a nós o vosso reino
E aos irmãos dos cinco continentes
sobretudo os que não nos conhecem

Seja feita a vossa vontade
assim na terra como no Céu
Para que todos vivam na justiça,
na paz e no amor
e sigam pelo caminho da verdade

O pão nosso de cada dia nos dai hoje
Às vítimas da fome e do ódio, da violência e da guerra,
da miséria e da perseguição,
da exclusão e da injustiça,
do analfabetismo e do abandono, da droga e do álcool,
do desespero e da falta de sentido para a vida.

Perdoai-nos as nossas ofensas
assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido.
Mesmo a quem nos fez mal,
nos odeia e nos persegue.

E não nos deixeis cair na tentação
de cruzar os braços diante dos problemas
por egoísmo, por medo ou por cansaço.

Mas livrai-nos do mal
Sobretudo de esquecer ou ignorar
o vosso apelo missionário
de amar e servir todas as pessoas. Amen.

In Obras Missionárias Pontifícias

Dia Mundial das Missões

O Dia Mundial das Missões, que hoje [23 de Outubro] se celebra, coloca-nos a todos nós, cristãos, perante o mandato de Jesus: “Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura” (Mc. 16, 16).

Anunciar o Evangelho constitui, de facto, a graça e a vocação própria da Igreja, da sua identidade mais profunda. A Igreja existe para evangelizar”, escreveu Paulo VI no nº14 da E.N.(*)

O Pai enviou ao mundo o seu Filho – o Missionário por excelência – que, por sua vez, envia a Igreja. Ser missionário é a nossa missão, o melhor e mais importante serviço que podemos prestar ao mundo. Nada o pode substituir ou antepor. Nas Terras de Missão ou da Velha Cristandade… o cristão é chamado a ser missionário.

Hoje rezemos pelas Missões e pelos Missionários e ajudamos, dando daquilo que o Senhor nos dá, para que a Palavra de Deus chegue a toda a gente.

*****

Diz a Sagrada Escritura: «Depois da vinda do Espírito Santo, os Apóstolos partiram e foram pregar por toda a parte. O Senhor cooperava com eles, confirmando a sua palavra com os milagres que a acompanhavam». (Mc. 16, 20)


*****

Os cristãos que se recordem
Que Jesus não deu conselho:
O que Ele deu foi a ordem
De ir pregar o Evangelho.

Se a vida não te consente
Ir trabalhar nas missões,
Deves lá estar presente
Com dádivas e orações.

(*) Exortação Apostólica do Papa Paulo VI, ao Episcopado, ao Clero, aos Fiéis de toda a Igreja, sobre a Evangelização no mundo contemporâneo.
Partes que a compõem: Introdução; I. De Cristo evangelizador a uma Igreja evangelizadora; II. O que é evangelizar?; III. O conteúdo da evangelização; IV. As vias de evangelização; V. Os destinatários da evangelização; VI. Os obreiros da evangelização; VII. O espírito da evangelização; Conclusão.

In Jornal “Avé Maria” (Semanário) – Vila Real, 23 de Outubro de 2011

Que fé é a nossa?

não é aceitar algo sem razões, mas aceitar o testemunho de alguém que sabe aquilo de que fala, é sincero, é digno de “fé”. É a fé humana. Acreditamos que Cristo veio ao mundo, há testemunhas que o afirmam e razões históricas que nos levam a aceitar. A fé cristã, porém, é muito mais, apoiamo-nos em Cristo e leva-nos a viver unidos a Ele.

Muitos colocam a sua fé no “esoterismo” (isto é, numa doutrina só conhecida pelos iniciados, não pelos crentes normais), sem se basear em dados científicos ou em dados demonstráveis pela filosofia, história, teologia, bem senso… Vejamos, por exemplo, os horóscopos que são verdadeira estupidez, restos de superstição de há 2000 anos quando julgavam que os astros eram deuses e nos influenciavam de tal maneira que nos tiram a liberdade. Isto é incompatível com a ciência, com a Bíblia… mas quantos não aderem sem qualquer reserva?

*****

Diz a Sagrada Escritura: «Não pratiqueis a adivinhação nem a magia. (…) Não consulteis os adivinhos. Não vos contamineis com isso. Eu sou o Senhor, Vosso Deus». (Lv.19, 26.31)

*****

Não devia ser, mas é
Uma triste realidade
Que ande toda a cristandade
Tão dividida na fé.

Para concordar com isto,
Basta ter a mente sã:
Há uma só fé cristã,
A que nos deu Jesus Cristo

Jornal “Avé Maria” (Semanário) - Vila Real, 16 de Outubro de 2011

Outubro Missionário

Outubro é o mês missionário por excelência. Abre com a festa da Padroeira das Missões – Santa Teresinha do Menino Jesus – e, dia-a-dia prepara-nos para celebrarmos, com compromisso renovado, a Jornada Mundial das Missões, este ano a 23.

A origem da Missão da Igreja está na palavra de Jesus de que S. João e S. Mateus fazem eco: “Como o Pai Me enviou assim Eu vos envio”, “Ide, pois, fazei meus discípulos em todas as nações… Eu estarei sempre convosco”, e “Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho… para que o salve”.

Jesus é a manifestação e a prova desse amor e a Igreja, sem querer ser Cristo e centro, recebeu esta missão com o compromisso de a levar até aos confins da terra e dos tempos. Como? Anunciando e procurando que a comunidade crente viva este amor e coloque a sua vida ao serviço de todos.

*****

Diz a Sagrada Escritura: «Ide! ... Pelo caminho proclamai que o Reino do Céu está perto. (…) Recebestes de graça, dai de graça». (Mt. 10, 6-8)

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Se a vida não te consente
Ir trabalhar para as missões,
Deves lá estar presente
Com dádivas e orações.

Deixando a casa paterna
E entregando a vida a Cristo,
Tereis o prémio previsto:
Cem por um e a vida eterna.

In Jornal Avé Maria (Semanário) – 9 de Outubro de 2011

Vamos ajudar?!

Dizem ser a fome mais severa dos últimos sessenta anos a que atinge os povos do “Corno” de África: Somália, Etiópia, Quénia, Sudão, Djubuti, Eritreia. Causas: não chove desde há dezoito meses e as chuvas que vieram foram tardias e escassas, a anarquia em que parte da região está mergulhada, a subida exagerada dos preços dos alimentos básicos, 150%, o pastoreio excessivo…

A verdade é que atinge milhões de pessoas. A ONU pediu dois milhões de dólares mas nem metade conseguiu. Os países ocidentais, com a crise, fecharam-se em si mesmos. A grande ajuda… vai das Cáritas nacionais.

Imitando o senhor P. Mendes, o Boletim lança uma campanha em favor daquela gente. Vamos ajudar com uma garrafa de água e um pão (*). Gota de água? Mas será uma gota portadora da nossa solidariedade a ser semeada no meio de tanto sofrimento e miséria.

Iremos dando notícias.

*****

Diz a Sagrada Escritura: «Fazei aos outros o que desejaríeis que vos fizessem a vós.» (Lc. 6, 31)

*****

E, se gente morre à fome
De pão, de fé e de paz,
Deus espera que tu vás
Levar ajuda em Seu nome.

Se, refletindo, descobres
Que é essa a tua missão
Não digas a Deus que não,
Porque O encontras nos pobres.

In Jornal Avé Maria (Semanário) – 2 de Outubro de 2011

(*) Não se trata, naturalmente, de dar garrafas de água ou pão mas o seu valor

Intenções do Papa para o mês de Outubrol de 2011


Geral: Para que os doentes terminais sejam ajudados nos seus sofrimentos pela fé em Deus e pelo amor dos irmãos.

Missionária: A fim de que a celebração do Dia Missionário Mundial aumente no Povo de Deus a paixão pela evangelização e o apoio à actividade missionária, através da oração e da ajuda económica às Igrejas mais pobres.

Escola Diocesana de Leigos – Vila Real

Escola Diocesana de Leigos – Vila Real

Estão abertas as inscrições para a frequência da Escola Diocesana de Leigos, uma das ações que fazem parte do Plano de Pastoral da Diocese de Vila Real para este ano 2011/2012. Realizar-se-á, simultaneamente, em Vila Real e em Chaves, às sextas-feiras, das 21h00 às 23h00.

As inscrições devem ser remetidas para o senhor P. António Paulo – Seminário de Vila Real (5000-609) ou para o senhor P. Hélder Sá – paróquia de Santa Maria Maior de Chaves (Rua da Ordem Terceira, 5400-426). Inscrições no curso completo: 25,00€. Inscrição por disciplina: 5,00€.

O Curso, organizado pelo Centro Católico de Cultura de Vila Real, destina-se a todos os interessados em aprofundar as razões e o sentido da sua fé. Procurarão na sua paróquia o impresso de inscrição e devem ter, no mínimo, a idade de 16 anos.

No 1º trimestre tratar-se-ão os seguintes temas: Introdução ao fenómeno religioso: o Deus que Se revela e Introdução à leitura da Bíblia. No 2º trimestre: Razões e fundamentos da nossa fé e Antigo Testamento. No 3º trimestre: Mistério de Cristo e Novo Testamento. Haverá ainda uma Conferência sobre o Advento (16/12) e sobre a Quaresma (23/03/2012). O Curso principiará no próximo dia 7 de Outubro.

Inscrições na Catequese


Inscrições na Catequese


Era uma vez a catequese: todas as crianças a frequentavam como prática habitual das famílias.

Mas, tudo mudou: os pais interessados na instrução religiosa diminuem e alguns, perdido o contato com a Igreja, ignoram-na ou deixam a liberdade de escolha às crianças. A igreja abandonou o catecismo de perguntas/respostas e propõe “caminhos” de iniciação cristã que procuram aliar a doutrina e a vida quotidiana.

Hoje, muitas crianças reclamam a catequese e até o batismo que os pais, em nome de uma utópica liberdade, não pediram.

Apesar de tudo, nunca faltaram crentes dispostos a partilhar a sua fé, a anunciar Cristo na catequese, transmitindo, ao mesmo tempo, a visão cristã do homem e da existência, despertando e propondo maneiras de viver inspiradas no Evangelho.

É esta “herança” que a catequese transmite e que as crianças têm o direito de conhecer. Respeitar a sua liberdade… é dar-lhes pontos de referência indispensáveis para que possam saber orientar-se na vida.

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Diz a Sagrada Escritura: «Cristo não me enviou para batizar mas para anunciar o Evangelho» (1Cor. 1, 17)

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Dizia um santo insuspeito:
«Eu temo a divina graça
Sempre que por mim ela passa
E não lhe tiro proveito”.

Se tu, por seres leviano,
Muitos anos esbanjaste,
Chora o que desperdiçaste
E aproveita bem este ano.

In Jornal Avé Maria (Semanário) - Vila Real, 25 de Setembro de 2011

A Assunção de Nossa Senhora

A ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

Em pleno Verão, os católicos celebram a assunção de Nossa Senhora, a festa do Seu triunfo. Verdade de fé definida pelo Papa Pio XII, a 1 de Novembro de 1950: “A Imaculada Mãe de Deus, Maria sempre Virgem, depois de ter acabado a sua vida terrestre, foi elevada em corpo e alma à glória celeste”, foi a confirmação daquilo que os católicos já professavam desde há muito tempo.

É uma definição que não toma posição sobre a morte e sepultura de Nossa Senhora, não diz que “subiu” aos céus como aconteceu com Jesus, mas que “foi elevada”, pela acção de Deus, à glória celeste. Maria não conheceu o pecado nem a corrupção do sepulcro.

A Assunção é a festa de esperança para todos os crentes. O que Deus antecipa na Mãe de Seu Filho, será realidade para todos os que acolhem a Sua Palavra e a vivem.

Jornal "Avé Maria" (Semanário) - Vila Real, 14 de Agosto de 2011
Fonte da imagem

Saber parar

SABER PARAR

Diz-se que o imperador Carlos V, depois de abdicar, ocupava o tempo a acertar relógios e não conseguia trazê-los certos. O senhor de um império onde o Sol não se punha, podia reflectir sobre a precariedade do tempo…

Hoje, somos vítimas da ilusão de que o tempo nos pertence… e ele falta-nos: para respirar, para visitar um doente, para rezar ou, simplesmente, para estar em família. O espaço e o que ele contém, foi-nos dado. O tempo não, está nas mãos de Deus. Não o possuímos, é-nos dado, dia-a-dia, com a vida. Querer dominá-lo, é tirar-lhe o carácter de dom.

Férias… ocasião preciosa para encontrarmos o sentido fundamental do tempo. Olhemos para Jesus: acolhe cada momento… das mãos do Pai.

Férias… tempo de respirar, de parar e reflectir, para examinarmos a nossa vida à luz da eternidade.

O tempo dá-o Deus! – dia a sabedoria popular.

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Diz a Sagrada Escritura: «”Vinde, retiremo-nos a um lugar deserto e repousai um pouco.” Porque eram tantos os que iam e vinham que nem tinham tempo para comer.» (Mc. 6, 31)

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O verdadeiro cristão
É aquele que perdoa,
Mesmo que ainda lhe doa
A ofensa no coração.

E se muito dói a ofensa,
Porque deixou cicatriz,
Quem perdoa é feliz
E terá mais recompensa.

In Jornal "Avé Maria" (Semanário) - Vila Real, 7 de Agosto de 2011

Intenções do Papa para o mês de Agostol de 2011

Geral: Para que a Jornada Mundial da Juventude, que se realiza em Madrid, encoraje os jovens do mundo inteiro a arraigar e fundamentar a sua vida em Cristo.


Missionária: A fim de que os cristãos do Ocidente, fiéis à obra do Espírito Santo, voltem a encontrar o vigor e o entusiasmo da sua fé.

A missão dos padrinhos

A missão dos padrinhos

No princípio, os padrinhos eram cristãos adultos com provas dadas da sua fé em Cristo e, assim, reconhecidos como testemunhas da fé e garantes dos que se preparavam para o baptismo. No caso de crianças, esta função sempre competiu aos pais sempre que a eles podiam recorrer. No caso de filhos de escravos, de perseguidos e presos, de órfãos… era com os padrinhos… A partir do séc. VI generalizou-se o costume de associar um padrinho a cada baptizado e, depois, também uma madrinha.

Ser padrinho não é uma favor feito a alguém, nem uma segurança para os pais, é uma responsabilidade. A Igreja fixou os critérios para a sua escolha. A sua vida, no mínimo, não pode estar em contradição com o Evangelho Tutor da fé do afilhado, deve ser membro consciente e responsável da Igreja de Cristo que ali representa.

Basta um padrinho; não podem ser dois padrinhos ou duas madrinhas.

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Diz a Sagrada Escritura: «A Vida manifestou-SE. Nós vimo-LA e damos testemunho d’Ela: Esta Vida eternam que estava no Pai, foi-nos manifestada(1 Jo. 1, 2)

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No baptismo Deus faz isto:
Dos pecados nos liberta
E na vida humana enxerta
A vida de Jesus Cristo.

E, em mudança repentina,
A raiz ainda brava
Deixa a condição de escrava
Para ser raça divina.

In Jornal “Avé Maria” (Semanário), Vila Real, 31 de Julho de 2011

Os Salmos

Os SALMOS

O livro dos Salmos é o único livro da Bíblia inteiramente feito de orações. Compilados, sobretudo, entre o VIII e o II século antes de Cristo, no povo de Israel, destinavam-se à oração da comunidade para as peregrinações a Jerusalém, as celebrações do Templo e na sinagoga e uso particular. Poemas inspirados por deus, compostos segundo as regras da poesia hebraica, normalmente cantados e acompanhados de instrumentos musicais, apresentam-nos louvores, súplicas nas aflições, pedidos de perdão, acções de graças… Contam a vida das pessoas e revelam-nos Deus vivo que se manifesta, nos fala e a Quem falamos. Jesus os rezou, os apóstolos, à sua luz, releram a vida de Cristo e descobriram a missão de Messias. Hoje, constituem a base da oração oficial da Igreja e muitos fazem deles oração diária. É o livro do Velho Testamento mais citado no Novo. Verdadeira escola de oração, podem alimentar a nossa vida de fé.

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Diz a Sagrada Escritura: «O Senhor é meu Pastor, nada me falta. Em verdes prados me faz descansar. (…) Ainda que atravesse vales sombrios, nenhum mal temerei porque Vós estais comigo(Sl. 23 – 1-2, 4)

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Quem vive sem oração
Despreza a ajuda celeste
E nada fará que preste
Em ordem à salvação.

Jornal “Avé Maria” (Semanário) – Vila Real, 24 de Julho de 2011

Festas dos Santos

Festas dos Santos

Noutros tempos o calendário litúrgico honrava, em cada dia, um santo: restando poucos dias livres para as festas cristãs fundamentais. O Concílio Vaticano II reformou esse calendário para que “os mistérios da salvação possam ser celebrados devidamente e na totalidade (…) com o lugar que lhe convém, a preferência sobre as festas dos santos”. A Igreja universal celebra apenas aqueles santos cuja vida é portadora de sentido para todos; sendo os outros festejados nas regiões ou comunidades a que pertencem.

Cada paróquia ou aldeia tem o seu santo padroeiro. Sempre foram honrados com festividades públicas: Santa Missa e procissão, banquetes, divertimentos… Ainda hoje reúnem para a eucaristia e procissão alguns cristãos praticantes habituais e ocasionais, felizes de se encontrarem para evocar lembranças comuns e afirmar sentimentos de pertença. Mas, para a maioria, o importante da festa é o “arraial” animado por conjuntos barulhentos, atrevidos, e, no geral, de valor artístico musical muito diminuto.

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Diz a Sagrada Escritura: «A vontade de Deus a nosso respeito é que sejais santos: que eviteis a impureza, que cada um de vós saiba tratar o seu corpo em santidade e honra, sem se deixar arrastar pelas paixões desonestas. Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade». (1 Tes.4, 3-5 e 7)

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Não são peças de museu
Os santos que estão no altar:
São imagens a lembrar
Os irmãos que estão no céu.

Recordamo-los nos templos
Para que Deus nos ajude
A imitar-lhes a virtude
E a seguir-lhes os exemplos.

Jornal “Avé Maria” (Semanário) – Vila Real, 17 de Julho de 2011

Todos iguais

Todos iguais

É frequente encontrarmos cristãos que não se consideram parte responsável na Igreja. Se é verdade que o Papa e os Bispos constituem a Igreja docente, nem por isso os outros são menos responsáveis.

Concepção errada a dos cristãos que, ao falarem da Igreja, não se consideram pertencer-lhe ou como se existissem diversas categorias de cristãos, como alguém escreveu, os que alinham na primeira divisão – os bispos, os da segunda – os padres e os da terceira – os leigos, e até na regional – seriam as mulheres…

De maneira nenhuma! Todos os baptizados formam a Igreja, iguais em dignidade mas com funções diferentes. Não há supercristãos e minicristãos. O Concílio Vaticano II fala da igualdade dos membros da Igreja: “comum a dignidade dos membros, comum a graça de filhos, comum a vocação à perfeição. Nenhuma a desigualdade entre cristãos…

E porquê? Porque todos recebemos o mesmo baptismo.

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Diz a Sagrada Escritura: «Todos nós, embora sejamos muitos, formamos um só Corpo com Cristo, e estamos unidos uns aos outros, como membros desse mesmo Corpo(1 Cor . 6, 15)

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Quando se fala em Igreja,
Não se trata do edifício
Onde, em santo sacrifício,
O Povo reza e festeja.

É a Família infinita
De irmãos na Terra e nos Céus,
Em que o Pai é o próprio Deus
E a Mãe, a Virgem bendita.

Jornal "Avé Maria" (Semanário), Vila REal, 10 de Julho de 2011

Mas não há inferno?...


O Inferno: escola portuguesa da primeira metade do séc. XVI, de mestre desconhecido.
(Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa)

«Claro que há Inferno. Se não houvesse Inferno, Deus não era Deus e o homem não era homem. Porque Deus criou o homem livre, este tem de ter opção de escolha. Porque o homem é livre, tem de poder optar pelo Céu ou pelo Inferno. Se não houvesse Inferno, o homem tinha de ir para o Céu “à força”, quer quisesse quer não. Porque somos livres podemos escolher, podemos optar. (…)

O Inferno não é, de certeza absoluta, como nós imaginamos. È uma realidade que a nossa inteligência não pode captar, porque é algo espiritual, ilimitado, eterno, com um sofrimento, uma ausência de Deus, que nós não podemos imaginar nem o devemos fazer. Exactamente como o Céu, que por ser um estado de alegria, de bem-aventurança, de perfeição, de gozo de Deus, nos escapa à imaginação. (…)

O Inferno é um estado de separação de Deus, terrível, sofredor, de angústia. Não é um lugar nem tem fogo. Mas esse estado, porque não é algo de humano, escapa-nos ao entendimento. Não deixa por isso de ser verdade que existe e que é algo de terrível como separação de Deus, do bem, do amor, como ausência de esperança, como mansão do ódio.

Mas irá muita gente para o Inferno? Para quem ama, duas ou três pessoas já é muito. Mas comparado com biliões de homens, parece não ser nada. Deus, porque Amor, agirá de tal modo, com todas as graças, com todas as inspirações, com a intercessão de Nossa Senhora, dos Anjos e dos Santos, para a todos salvar, para evitar que alguém se condene. De um Deus que é Amor, não podemos pensar nem supor outra coisa. Quem entregou o Filho à morte para nos salvar, Quem ama cada homem e cada mulher com amor infinito, não fará tudo para nos ajudar a não ir para o Inferno? (…)»

Dário Pedroso, SJ in “Diário do Minho”, retirado do Almanaque Popular 2004

Quanto custa o pôr-do-sol?

Na primeira página do boletim “Cavaleiro da Imaculada” (Julho 2011), propriedade da Província Portuguesa da Sociedade Salesiana, foi publicado um artigo intitulado “Quanto custa o pôr-do-sol?”. Transcrevo os primeiros parágrafos:

«Nesta sociedade consumista e materialista, onde só se fala de finanças, não haverá lugar para valores que não têm preço?

Um jovem empresário americano, estando em Roma, quis mostrar ao seu filho a beleza do pôr-do-sol nas colinas próximas do Vaticano. Antes de seguirem para o miradouro, o filho perguntou-lhe:

- Pai, onde se paga?

Esta pergunta revela como esta sociedade está alicerçada sobre o dinheiro. Nela tudo se compra e vende. Parece não haver lugar para a gratuidade, para a contemplação gratuita da beleza que pode ser, por exemplo, o pôr-do-sol.(…)»

Curiosamente, e talvez por “ironia do destino”, logo a seguir a ter lido este texto, recebi um email que dizia o seguinte:

«Campanha publicitária do Citibank espalhada pela cidade de São Paulo através de Outdoors:

"Crie filhos em vez de herdeiros."
"Dinheiro só chama dinheiro, não chama para um cineminha, nem para tomar um sorvete."
"Não deixe que o trabalho sobre sua mesa tape a vista da janela."
"Não é justo fazer declarações anuais ao Fisco e nenhuma para quem você ama."
"Para cada almoço de negócios, faça um jantar à luz de velas."
"Por que as semanas demoram tanto e os anos passam tão rapidinho?"
"Quantas reuniões foram mesmo esta semana? Reúna os amigos."
"Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Mas não se esqueça, vírgulas significam pausas..."

"...e quem sabe assim você seja promovido a melhor (amigo / pai / mãe / filho / filha / namorada / namorado / marido / esposa / irmão / irmã… etc.) do mundo!"

"Você pode dar uma festa sem dinheiro. Mas não sem amigos."

e por fim: "Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim, ele saberá o valor das coisas e não o seu preço."»

Coincidência, ou não, estes dois textos acabam por se complementar, e por nos fazer reflectir no que é – ou deve ser - realmente importante: o “ter” ou o “ser”, o “dinheiro” ou as “pessoas” (os familiares, os amigos ou, simplesmente, o próximo - aquele desconhecido que passa por nós, e ao qual nós, nunca ou raramente, cumprimentamos, damos um sorriso ou deixamos passar à frente!).

Paremos uns breves instantes e façamos uma reflexão!

Intenções do Papa para o mês de Julho de 2011

Geral: Para que os cristãos contribuam para aliviar, de maneira especial nos países mais pobres, o sofrimento material e espiritual dos doentes de SIDA.

Missionária: A fim de que as religiosas que trabalham nos territórios de missão sejam testemunhas da alegria do Evangelho e sinal vivo do amor de Cristo.

A Refeição do Senhor

A Refeição do Senhor

Instituição da Eucaristia
Cristãos, ou simplesmente interessados em conhecer a fé dos cristãos, todos somos chamados a reflectir neste sacramento – a Eucaristia – pelo qual o Senhor mantém a sua presença na Igreja.

A Eucaristia não pode fechar-se numa definição dogmática. Ao longo dos primeiros séculos privilegiaram-se ora este ora aquele aspecto, diferentes: refeição do Senhor, sacrifício de Cristo, Páscoa do Senhor, fracção do Pão… e sucederam-se também modos de celebração com certas diferenças. A sensibilidade particular em favor deste aspecto ou daquele rito, por vezes exagerada, deu origem a divisões entre aqueles que celebravam o mesmo sacramento da unidade.

A Eucaristia, não o esqueçamos, não se ensina nem se aprende nos livros mas revela-se àqueles que, de facto, a querem viver constantemente e não apenas num dia ou noutro. Para que ela possa fazer brotar em nós o mundo novo que anuncia, bem precisamos de tempo, a nossa vida não é demasiada para reflectirmos.

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Diz a Sagrada Escritura: «No sábado à noite reunimo-nos para a Fracção do Pão(Act. 20,7)

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É este grande sinal
O fundamento da Igreja
E, por isso, se festeja
Na missa dominical.

É escutar Deus, que nos fala,
Como irmãos em multidão;
É Deus feito refeição
E os Seus filhos a tomá-la.

Jornal "Avé Maria" (Semanário) - Vila Real, 3 de Julho de 2011
Imagem retirada da net

Santíssima Trindade

Santíssima Trindade

A Santíssima Trindade não é uma ideia genial dos teólogos para dizerem Deus. Ela propõe-nos uma maneira de viver: a de deus que, sendo Amor, é ao mesmo tempo Unidade e Dom de Si ao outro. A fé em Cristo foi sempre trinitária: as primeiras comunidades cristãs baptizavam em nome do pai, do Filho e do Espírito Santo e os seus membros procuravam viver como irmãos.

Só pelo séc. IV se chegou à formulação do dogma da Trindade: Um Deus em três Pessoas iguais e distintas. O nosso Deus é único e pessoal. Unidade que nasce do amor entre as três Pessoas.

Jesus, Homem e Deus, deu-nos a conhecer a vida trinitária e convidou-nos a nela participar como em festim de amor. Cada um de nós tem lugar na comunhão divina.

Quando, pela acção do Espírito Santo, nos abrimos para esta realidade atingimos maior grandeza humana e mais consciência da dignidade de filhos de Deus.

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Diz a Sagrada Escritura:
«A graça de Jesus Cristo, o Amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.» (II Cor. 13, 13)

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Este mistério divino
Ultrapassa a inteligência;
Que, sendo Deus uno na essência,
Quanto a pessoas é trino.

Mas Jesus veio dizer
Esta verdade infinita;
E a nossa mente acredita,
Sem que possa compreender.

Jornal "Avé Maria" (Semanário) - Vila Real, 19 de Junho de 2011

PENTECOSTES

Pentecostes, palavra grega, que dizer cinquenta. É o quinquagésimo dia da festa de Páscoa, a plenitude de Páscoa. Pascoa e Pentecostes são a mesma festa celebrada em cinquenta dias. É a obra de Jesus completada pelo Espírito Santo.

No Pentecostes não é tanto uma pessoa que celebramos – nem o Pai, nem o Filho, nem o Espírito Santo – mas um acontecimento, a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos e todos os que se encontravam no cenáculo. E este acontecimento mudou as relações entre Deus e os homens: “Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho que clama ‘Abbá – Pai”, “o amor de Deus foi derramado nos nossos corações”.

A partir do Pentecostes os Apóstolos leram as Escrituras e a vida de Cristo com outros olhos, o evangelho é visto como Boa Nova.

Não sabemos quem é o Espírito Santo, mas sabemos que sem Ele a Palavra de Deus seria letra morta.

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Diz a Sagrada Escritura:
«Eu vou pedir ao Pai e Ele há-de enviar-vos outro Consolador, que ficará convosco para sempre. Será o Espírito da Verdade que ficará convosco e em vós(Jo. 14, 16-17)

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A Escritura nos ensina
Que é o Espírito de Deus
Que faz da Terra e dos Céus
Uma família divina.

Cria assim um Mundo Novo
Em que o Amor é presente,
Como força veemente
A conduzir o Seu Povo.

In Jornal "Avé Maria" nº2614 (Semanário) - Vila Real, 12 de Junho de 2011

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